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Coluna do Astrônomo Curiosidades Dicas

Observação do Sol

Observar o Sol é possível, desde que você tome medidas de segurança. A luz do Sol é tão forte que pode cegar em poucos instantes. Portanto, sempre procure uma orientação de um especialista para fazer isso. Nunca olhe diretamente.

Existem algumas maneiras de se observar o Sol, mas a mais segura é fazer uma projeção dele através de uma câmara escura, utilizando um espelho e um papel grosso, como na figura a seguir, por exemplo. Faça um pequeno furo no papel grosso para que a luz do Sol passe por ele e seja projetado em uma parede. Procure projetar para um local mais escuro para ter mais nitidez da imagem. Esta experiência deve ser feita somente por adultos e nunca olhem diretamente para o raio de luz que venha do espelho!

Conseguindo observar o Sol você terá condições de ver as manchas solares, caso elas estejam no momento. As manchas variam tanto de tamanho quanto de quantidade. É interessante acompanhar o movimento dessas manchas ao longo de alguns dias para verificar a rotação do Sol.

Ficou na dúvida? Então procure uma astrônomo mais perto de você e boa observação!

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Coluna do Astrônomo Curiosidades

O que os corais podem nos ensinar sobre astronomia?

Por Maria Beatriz de Andrade

            A fascinação da humanidade para com a Lua, o satélite natural da Terra, é um fenômeno de longa data. Para civilizações antigas, a Lua representava uma forma de compreender a passagem do tempo que os permitia cuidar melhor de suas plantações e, por essa e outras razões, há registros de calendários lunares datados de milhares de anos antes de Cristo. Apesar disso, foi apenas na segunda metade do último século que pudemos entender como a Lua surgiu e ocupou seu lugar de destaque em nosso céu noturno.

Em julho de 1969, o mundo assistiu Neil Armstrong tornar-se a primeira pessoa a caminhar na Lua. As históricas filmagens desse fato são familiares até mesmo para quem nasceu muitos anos após o ocorrido. Imagem: NASA.

            O responsável por essa descoberta foi o Programa Apollo de exploração espacial, que, além de promover o pouso do homem na Lua, permitiu o retorno à Terra de 382 quilogramas de amostras de solo e rochas lunares. Essas preciosas amostras foram e continuam sendo minuciosamente analisadas em laboratórios. À luz das evidências trazidas por elas, os cientistas puderam propor a ideia de que a Terra, ainda em seus estágios iniciais, teria colidido com um outro planeta em formação. Esse impacto teria desintegrado o outro planeta e ejetado uma grande quantidade de matéria rochosa que teria dado origem à Lua.

O planeta em formação que colide com a Terra para formar a Lua ganha o nome de Theia, em homenagem à deusa grega que, no mito, seria a mãe da deusa Selene, a personificação da Lua. Imagem: NASA

            Também descobrimos que, pouco a pouco, a Lua está se afastando de nós. Na superfície lunar, os astronautas do programa Apollo deixaram espelhos nos quais pudemos, aqui da Terra, incidir lasers. A partir do tempo que esses lasers levam para serem refletidos de volta para a Terra, é possível calcular a distância entre os dois astros. Repetições dessa medição revelaram que, desde 1970, a Lua tem se afastado 3,82 centímetros a cada ano ‒ que é mais ou menos a mesma velocidade com que nossas unhas crescem.

Buzz Aldrin carrega, em sua mão esquerda, um aparelho para conduzir experimentos sobre atividade sísmica na Lua e, na direita, um painel refletor (espelho). Imagem: NASA’s Johnson Space Flight Center.

            Quando reconstruímos a história da Terra e da Lua, a partir das novas evidências, descobrimos uma série de fatos interessantes. Por exemplo, que a Lua se formou a uma distância 16 vezes mais próxima da Terra do que ela está hoje; e que nosso planeta rotacionava ao redor do próprio eixo com uma velocidade bem maior, de forma que um dia terrestre durava apenas cerca de cinco horas. Nesse contexto, em um ano, ou seja, ao longo de uma revolução ao redor do Sol, passavam-se 1.750 dias curtos. Mas como foi que tudo veio a ser como é hoje? Como foi que a Lua se afastou tanto e o dia terrestre passou a ter 24 horas?

            Acontece que todo corpo, ou sistema de corpos, em movimento circular possui uma propriedade chamada “momento angular”. Essa propriedade está associada à velocidade de deslocamento e à distância ao centro do movimento. Então, quanto à rotação da Terra, quanto mais momento angular o planeta possui, mais rápido ele gira em torno do próprio eixo. Com relação à revolução da Lua ao redor da Terra, o momento angular aumenta com a distância entre os dois corpos e também com a velocidade do deslocamento da Lua em sua órbita ao redor de nosso planeta. Assim, há bilhões de anos, Terra e Lua travam uma disputa de cabo de guerra, com um astro exercendo influência gravitacional sobre o outro num processo intimamente associado às marés observadas na Terra. Essa interação transfere momento angular da Terra para a Lua, diminuindo a velocidade de rotação de nosso planeta, tornando os dias cada vez mais longos. A Lua, por sua vez, se afasta de nós nesse processo.


            Portanto, essa dinâmica vem gradualmente diminuindo a velocidade de rotação da Terra, causando o afastamento da Lua e dando forma ao sistema Terra-Lua como conhecemos hoje. Mas uma mudança dessa magnitude não ocorre sem deixar marcas em nosso planeta. Na verdade, existem seres vivos que carregam em si registros desse passado tão diferente. Eles são os corais: animais que possuem um esqueleto externo composto por carbonato de cálcio, responsáveis por formar os maravilhosos e coloridos recifes no fundo dos oceanos.

Conjunto de corais na Grande Barreira de Corais, em Cairns, Queensland, Australia. Imagem: Toby Hudson.

            Conforme um coral cresce, ele forma, a cada dia, um novo anel de carbonato de cálcio. Quando comparamos corais vivos atualmente com fósseis de corais antigos, percebemos uma diferença muito marcante: os corais atuais formam 365 anéis por ano, enquanto corais fósseis apresentam um número bem maior de anéis anuais. E quanto mais antigo o fóssil, mais anéis anuais ele apresenta, evidenciando que a duração do dia vem aumentando ao longo da história da Terra.

Corte transversal de um coral da espécie Primnoa resedaeformis exibindo anéis de crescimento. Imagem: Owen Sherwood.

            Os corais habitam a Terra há pelo menos 400 milhões de anos e a evolução do sistema Terra-Lua foi uma dentre várias outras mudanças a nível global à qual eles sobreviveram. E não só sobreviveram como também preservaram registros desse acontecimento, servindo como uma janela para o passado de nosso planeta. E não para por aí: corais, além de tudo, podem nos ajudar a prever o futuro da Terra. Seus esqueletos de carbonato de cálcio são muito sensíveis a alterações na temperatura, luz e disponibilidade de nutrientes. Ao analisar corais de diferentes épocas, podemos compreender como essas condições mudaram ao longo do tempo e como elas podem vir a mudar no futuro. Hoje, existem diversas iniciativas, incluindo algumas lideradas pela NASA, para monitorar recifes de corais no mundo todo. Afinal, já passou da hora de ouvirmos o que esses animais que vivem em nosso planeta há centenas de milhões de anos têm a dizer.

Referências:

  • Hazen, Robert M. 2013. The Story of Earth: The First 4.5 Billion Years, from Stardust to Living Planet. New York, Penguin Books, 2013.
  • Runcorn, S. K. 1966. Corals as Paleontological Clocks. Scientific American, 215(4), 26–33. http://www.jstor.org/stable/24931079
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Coluna do Astrônomo

Curso Introdução à Astronáutica 2022

Você sabe o que se comemora no dia 04 de outubro? Olá, você gosta de falar sobre coisas do espaço? Sabe por que o Homem não voltou à Lua? Qual a diferença entre cosmonauta e astronauta? Como um satélite se mantém em órbita?

Entre 03 a 06 de outubro de 2022 o Planetário do Rio de Janeiro estará oferecendo o Curso Introdução à Astronáutica. O horário é de 19h às 20h30min no Planetário da Gávea.

Conteúdo do curso

O curso será dividido em 4 capítulos:

  1. Fundamentos de Mecânica Celeste – revemos os conceitos básicos de Mecânica do nível médio: posição, velocidade, aceleração, órbita e gravitação;
  2. Foguetes – sua origem, desenvolvimento e funcionamento;
  3. Satélites e Sondas – órbitas, funcionamento e aplicações.
  4. Voos Tripulados – cápsulas, trajes espaciais e naves.

Informações

Investimento: R$120,00. Material didático será disponibilizado. Certificado (frequência mínima de três dias). Idade mínima: 14 anos.

Professor Naelton Mendes de Araujo – Graduado em Astronomia, Mestre em Educação e Divulgação Científica. Trabalhou 10 anos com controle orbital de satélites geoestacionários.

Inscrições deve ser feitas em https://doity.com.br/astronautica

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Coluna do Astrônomo Conteúdo científico Curiosidades

Ano Novo Islâmico

Auto: Paulo Pereira – Astrônomo do Planetário do Rio de Janeiro

No próximo dia 29 de julho, a comunidade muçulmana iniciará um novo ano, correspondente ao dia 1 de Muharam do ano de 1444 no calendário islâmico. Ao contrário do que ocorre nos países ocidentais, o ano novo islâmico não é um evento suntuoso, como a festividade Id Al-Fitr, que sucede o mês do Ramadã, esse sim o mês mais importante para os muçulmanos. Enquanto o nosso calendário é solar, o adotado em diversos países islâmicos é lunar, gerando situações curiosas, que poucas pessoas no ocidente se dão conta.

O ciclo das fases da Lua. Imagens não estão em escala.

A edição de toda a revelação feita ao profeta Muhammad, compilada num único exemplar, ocorreu no ano 653, durante o governo do califa Uthman. Já o Hadíth, compilação dos ditos e ações do profeta, atingiu seu vigor no século 8. Juntas, a revelação e a tradição, moldaram não somente a sociedade, como a ciência islâmica. No caso da Astronomia, essa influência é acentuada. Com o calendário, não foi diferente.

O nosso calendário se baseia no movimento da Terra ao redor do Sol, e, portanto, acompanha o ciclo das estações. Um calendário lunar não tem esse compromisso pois, como o nome indica, ele se baseia apenas nas fases da Lua. Como consequência, as principais festividades religiosas caminham por entre as estações. Tome-se por exemplo, o mês mais importante do calendário islâmico ‒ o Ramadã, cuja origem remete à palavra de origem árabe “ramida”, que significa “ardente” (uma alusão ao jejum realizado na época mais quente do ano). Com a adoção do calendário lunar, este mês pode cair em qualquer estação do ano, inclusive no inverno.

Você deve estar se perguntando o porquê dos meses islâmicos caminharem pelas estações. O ano lunar tem cerca de 11 dias a menos que o ano solar. Assim, a cada ano no nosso calendário, o ano lunar começa 11 dias mais cedo. Para entendermos isso precisaremos falar sobre as fases da Lua.

A Lua não tem luz própria. Se assim fosse, ela seria sempre Cheia. Ela é o satélite natural da Terra, dando uma volta completa em 27 dias e 7 horas (27,32 dias), aproximadamente. Apesar disso, o ciclo lunar completo dura cerca de 29 dias e 12 horas (29,5 dias). Achou estranho? Lembre-se: a Terra não está parada, mas orbita o Sol. Na ilustração abaixo, na posição (a) temos a Lua Nova, quando o Sol, a Lua e a Terra estão aproximadamente alinhados, com a Lua entre os dois. Na posição (b), 27,32 dias depois, a Lua retorna à mesma posição que ela estava na posição (a). No entanto, como a Terra se moveu enquanto a Lua girava ao redor da Terra, a Lua Nova só ocorrerá cerca de dois dias depois.

Ano Novo Islâmico - sol e lua
Configuração Sol-Lua-Terra na Lua Nova. Os tamanhos e distâncias dos corpos celestes representados, não estão em escala.

O ano islâmico tem 12 meses lunares e, portanto, para obtermos a quantidade de dias no calendário lunar, basta multiplicarmos 12 por 29,5 que dá 354 dias. Assim, o calendário lunar tem certa de 11 dias a menos que o solar (que tem 365 dias). Como não é prático um mês de 29 dias e meio, cada mês do calendário lunar tem, de forma intercalada, 29 e 30 dias, o que na média dá os tais 29,5 dias.

Meses do calendário islâmico

Perguntar-te-ão sobre os novilúnios. Dize-lhes: Servem para auxiliar o homem no cômputo do tempo e no conhecimento da época da peregrinação.” (Alcorão 2:189)

Curiosamente cada mês lunar se inicia com a primeira visão da Lua Crescente no horizonte oeste, logo após o pôr do sol, e cada dia começa ao pôr do sol (por aqui, a meia-noite marca o início de cada dia).

Costuma-se empregar no calendário islâmico um ciclo de 30 anos, sendo 11 deles bissextos (a saber, os anos 1, 5, 7, 10, 13, 16, 18, 21, 24, 26 e 29), quando se adiciona um dia ao décimo segundo mês, que passa a ter 30 dias.

Faltou esclarecer um dado importante, que é o marco inicial do calendário islâmico. Ele toma como referência a Hégira – migração do profeta Muhammad para a cidade de Medina, em 16 de julho de 622d.C.

Não é simples fazer a conversão do calendário islâmico para o gregoriano, uma vez que o calendário lunar é bem irregular. Além disso, em vários países islâmicos, as proclamações das autoridades religiosas quanto ao período de visibilidade da Lua Crescente costumam ter peso. Consequentemente, as datas fornecidas em diferentes localidades podem apresentar diferenças de um ou dois dias.

Existe uma maneira aproximada de fazer a conversão do ano gregoriano para o islâmico:

a) subtraímos 622 (ano da Hégira) do ano gregoriano;

b)multiplicamos o resultado por 1,031.

Por exemplo, o ano de 2022 corresponde a:
2022 – 622 = 1400 =>
1400 x 1,031 = 1443,4

Portanto o ano gregoriano de 2022 corresponde aos anos
1443 / 1444 islâmicos.

Aparentemente o calendário lunar foi adotado pelos muçulmanos porque era muito mais fácil de observar as fases da Lua do que se basear no movimento aparente do Sol. E não apenas. É mais fácil acompanhar o movimento da Lua por entre as constelações (o Sol, como sabemos, impede a visão das constelações durante o dia). O ciclo das fases lunares tornou-se uma “paixão” dos muçulmanos e “a Lua crescente” tornou-se o símbolo do Islã.

Ano Novo Islâmico
Crescente lunar e o planeta Vênus.

Ressalte-se que o calendário islâmico é direcionado para as práticas religiosas. No nível governamental, normalmente se utiliza o calendário civil, até porque vários países árabes têm uma parcela considerável de não muçulmanos.

Como a primeira visibilidade da Lua Crescente depende de fatores locais, em alguns lugares do planeta o ano novo islâmico ocorrerá no dia 30 de julho.

Uma última curiosidade: como o ano islâmico é sempre mais curto que o ano gregoriano, uma data no calendário islâmico pode ocorrer mais do que uma vez no decurso do nosso ano solar. Por exemplo, o Ano Novo Islâmico ocorreu duas vezes em 1943: uma em 8 de janeiro e outra em 28 de dezembro. A próxima vez que isso acontecerá será no ano 2041 (1463H).

Feliz 1444!

Nota de Agradecimento: A Fundação Planetário agradece a valiosa consultoria, na elaboração do texto, de Jamil Ibrahim Iskandar, professor de Filosofia Medieval Árabe  na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Campus Guarulhos.

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Apollo 11 pousa na Lua

Por Naelton Mendes de Araujo – Astrônomo da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro

O começo de tudo: Programa Apollo

Apollo 11 pousa na Lua
Esquerda: Patch da missão Apollo 11 e foguete Saturno V no lançamento. Centro Módulo Lunar. Direita: Patch do programa Apollo e a tripulação da Apollo 11 – da esquerda para a direita: Armstrong, Collins e Aldrin.

O primeiro homem na Lua foi resultado da corrida espacial entre EUA e URSS. A história do programa Apollo está associada ao desenvolvimento do poderoso foguete Saturno V, o maior foguete já construído pelo homem. O primeiro voo deste veículo espacial foi em novembro de 1967 na chamada missão Apollo 4, não tripulada. Em outubro de 1968 uma variante menor do foguete, o Saturno 1B, levou a primeira tripulação do programa Apollo de número 7 para um voo ao redor da Terra. Nesta missão foi testado o módulo de comando. Dois meses depois aconteceu o primeiro voo tripulado usando o Saturno V: a missão Apollo 8. Nesta missão os astronautas Frank Borman, Jim Lovell e William Anders, circundaram a Lua. Este feito foi inédito marcando claramente uma dianteira norte-americana na disputa espacial.

Várias versões do Saturno V para cada missão

A Apollo 9 em março de 1969 realizou o primeiro teste do módulo lunar ao redor da Terra. Em maio de 1969 foi realizado o primeiro teste ao redor da Lua com o módulo lunar. A cada missão se avançava um pouco mais na direção do alvo: pousar um astronauta na superfície lunar.

20 de julho: “a Águia pousou

Acima: Estágios do Saturno V – Abaixo à esquerda: Módulos de Serviço, Comando e Lunar em configuração de cruzeiro. Abaixo à direita: Patch da missão Apollo 11, com a água (símbolo norte-americano) pousando na superfície lunar – lembrando que o módulo lunar chamava-se Eagle.

A Apollo 11 partiu de Cabo Canaveral em 16 de julho de 1969 com três astronautas: Neil Armstrong, Michael Collins e Buzz Aldrin. Os dois primeiros pisaram na Lua em 20 de julho, enquanto Collins circundava nosso satélite. No programa Apollo as naves eram construídas em módulos que eram descartados à medida que iam sendo usados. O módulo de comando chamava-se Colúmbia e o módulo lunar Eagle. Do conjunto de 111 metros no lançamento, somente o Columbia, de formato cônico, voltou à Terra.

Apollo 11
Módulo Columbia – Museu Nacional do Ar e Espaço (EUA).

Até hoje o módulo de descida da Eagle se encontra no mar da Tranquilidade. Os demais módulos da missão ou se queimaram na atmosfera, ou se encontram em órbita solar. O módulo Columbia se encontra em exposição no Museu Nacional do Ar e Espaço. Foram oito dias para ir e voltar durante esta missão memorável.

Depois da Apollo 11

Apollo 11 carro lunar
Esquerda: Patch da Apollo 15 que levou o primeiro jipe lunar. Direita: Módulo danificado da Apollo 13 e seu Patch.

Foram seis missões à Lua depois do sucesso estrondoso da Apollo 11. A cada missão algo era introduzido e aumentava o tempo de permanência na superfície lunar. Um destaque especial para a missão Apollo 13, de abril de 1970, que não chegou a atingir a Lua. Houve uma explosão no módulo de serviço que por pouco não causou uma tragédia. A saga desta missão é descrita no filme Apollo 13.

A primeira missão a usar o jipe lunar foi a de número 15 em julho de 1971. O programa lunar encerrou suas viagens em dezembro de 1972 com a missão Apollo 17. Desde então nenhum astronauta jamais pisou em outro astro.

O que nos reserva o futuro?

Apollo 11
SLS na torre de lançamento para teste não tripulado e o logo do programa Artemis.

A agência espacial norte-americana, a Nasa, já tem um projeto em andamento chamado Artemis. Este era o nome da deusa da caça e irmã de Apollo. Este projeto pretende levar a primeira mulher à Lua na próxima década. Para isso a Nasa tem desenvolvido um novo foguete lançador: Space Launch System (SLS). Este veículo lançador virá a fazer o papel que o Saturno V fez na década de 60. Há muita semelhança entre este novo foguete e o sistema dos antigos Space Shuttles. Muita tecnologia foi aproveitada, desde o tanque laranja e os boosters de combustível sólido. Vários países agora participam da exploração do nosso satélite: China, Japão, Índia, além dos EUA, Rússia e Comunidade Europeia.

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James Webb, vendo mais longe e melhor

Naelton Mendes de Araujo

Demorou mas chegou…

Esq.: JW dobrado na coifa do foguete. Acima: Logo da missão. Ao fundo: lançamento do JW. DIr: Espelho do JW durante a montagem.

O mais esperado telescópio espacial, o James Webb (JW), é considerado o sucessor do Hubble Space Telescope (HST). Seu projeto começou em 1996 mas seu lançamento só ocorreu em dezembro de 2021. O lançamento correu bem, mas a equipe só relaxou após um período de mais de 15 dias, depois de complicadas manobras. Estas manobras levaram o veículo espacial até quase um milhão e meio de distância da Terra. O veículo foi todo dobrado dentro da coifa do foguete como se fosse um origami que se abriu no espaço. Este processo incluiu o desdobramento de painéis solares, para-sois e o próprio espelho do telescópio composto de várias células hexagonais.

Esq.: Aspecto do JW depois de desdobrado. Dir.: Comparação dos espelhos do HST com o JW.

Que comecem os trabalhos…

Na última terça feita (12 de julho de 2022) em uma conferência de imprensa global foram anunciadas as primeiras imagens que se mostraram mais nítidas do que qualquer outra já feita. Uma comparação do JW e o HST é um tanto forçada. O JW “enxerga” no infravermelho e HST cobre uma faixa mais ampla do espectro eletromagnético centrada no visível. Além disso o espelho do JW é quase o triplo do espelho do HST. Quanto maior espelho mais luz é captada e mais nitida é a imagem.

Infravermelho?

O infravermelho nos permite ver melhor através da poeira e o gás que envolve vários astros. Outra vantagem: devido ao desvio para o vermelho (efeito Doppler) objetos mais distantes tem sua cor deslocada para o infravermelho. Assim o JW pode ver mais longe e com melhor definição vários objetos de interesse: galáxias distantes, o centro da nossa galáxia e estrelas imersas em nebulosas.

Primeiras imagens

Os objetos escolhidos para inaugurar os trabalhos do JW representam o que há de mais interessante na astrofísica moderna. As imagens obtidas são coloridas artificialmente. As cores são obrigatóriamente falsas pois nossos olhos não enxergam no infravermelho. Assim foi preciso fazer uma adaptação da imagem ao que seria compreensível em uma foto no visível.

james webb
Esq.: SMACS 0723. Dir.: Quinteto de Stephan.

Grupo de galáxia SMACS 0723 – Esta foi a primeira imagem obtida pelo JW onde se pode ver diversas galáxias e imagens distorcidas por lentes gravitacionais. A resolução da imagem é surpreendente para objetos muito distantes: mais de 5 bilhões de anos-luz.

Quinteto de Stephan – Um grupo compacto de quatro galaxias, distantes de nós mais de 200 milhões de anos-luz. Uma quinta galaxia aparece no campo, esta está mais perto de nós (39 milhões de anos-luz) e sua proximidade ao quarteto é só aparente: uma coincidência de alinhamento. As fotos anteriores deste grupo foram realizada por outro telescópio infravermelho o Spitzer fora de ação desde janeiro de 2020.

james webb
Nebulosa Carina

Nebulosa Carina – É uma das maiores nebulosas da Via Láctea. Esta complexa e extensa nebulosa abriga diversos aglomerados de estrelas e umas das estrelas mais luminosas da nossa galáxia: Eta Carinae. Se encontra a mais de 6000 anos-luz de distância.

Esq.: Nebulosa do Anel Sul vista pelo JW. Dir.: mesmo objeto visto pelo Spitzer.

Nebulosa Anel do Sul – A aproximadamente 2000 anos-luz da Terra este tipo de nuvem de gás envolve estrelas mais antigas e chamamos de nebulosa planetária. Provavelmente o final da vida do nosso Sol será criar uma nebulosa deste tipo daqui a 5 bilhões de anos.

Nem só imagens …

james webb
Espectro da atmosfera de WASP-96 b

Espectro do Exoplaneta WASP-96 b – A maior parte dos dados realmente relevantes do ponto de vista científico nem sempre são imagens. Aqui vemos um espectro de um planeta gigante (pouco menor que metade do tamanho de Jupiter) a 1120 anos-luz da Terra. O espectro indica a presença de água na atmosfera do planeta. Apesar disso a atmosfera deste exoplaneta não se parece nada com a nossa. WASP-96 b se encontra muito perto da estrela principal e por isso é extremamente quente.

Vamos aguardar os dados que virão e que certamente vão redefinir nossa visão do cosmos.

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Coluna do Astrônomo

Dia do Asteroide

Por Naelton Mendes de Araujo – Astrônomo da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro

Tunguska, 30 de junho de 1908

Por volta das 7h14min do dia 30 de junho de 1908, horário local, um clarão iluminou o céu. O lugar era uma região remota da Sibéria (Rússia, naquele tempo URSS) chamada Tunguska. Um objeto celeste explodiu sobre o arvoredo. O impacto foi sentido a grandes distâncias. Vários sismógrafos situados a milhares de quilômetros registraram os tremores decorrentes. Dizem que o som dessa explosão foi ouvido em lugares tão distantes quanto na Escócia e na China! Somente duas décadas depois do evento uma expedição científica foi até o local. A expedição encontrou 2000 metros quadrados de árvores caídas. Passou-se a chamar o acontecimento de “Evento de Tunguska”, considerado o maior evento de impacto na Terra registrado na história.

Árvores caídas resultado do impacto de um asteroide em Tunguska (Sibéria, 1908)

O que colidiu alí? Um cometa ou um pequeno asteroide? Ainda há alguma dúvida mas o fato nos mostra claramente que a possibilidade de um impacto celeste não é desprezível.

Em 2013 um meteorito explodiu sobre a cidade de Cheliabinsk (também na Rússia); só com o estrondo sônico feriu 1200 pessoas. Isso prova que a necessidade de conhecer estes corpos e suas trajetórias não é algo puramente acadêmico.

De onde vem os Asteroides?

Apesar de totalizar uma pequena massa, são os corpos mais abundantes em nosso sistema planetário. Rochedos espaciais como estes descrevem órbitas diversas ao redor do Sol, porém a maior parte deles se encontra entre as órbitas de Marte e Júpiter. Chamamos esta região de Cinturão Principal de Asteroides. Entretanto existem os objetos que passam mais perto da Terra, chamados NEOs (Near Earth Objects) que podem oferecer algum risco de impacto. Só recentemente tivemos sondas visitando estes astros; tirando fotos, pousando e até coletando amostras.

Esquerda: Diagrama em escala mostrando o Cinturão Principal. Direita: Asteroide Ceres fotografado pela sonda Dawn

Asteroid Day

A data do evento Tunguska foi escolhida para chamar a atenção para os corpos menores do sistema solar. O Asteroid Day foi lançado em 2014 inspirado pela explosão do meteorito de Chelyabinsk em 2013. Seu grupo idealizador inclui um astronauta, um cineasta e até um rock star, Dr Brian May, que além de astrofísico, também foi guitarrista do grupo Queen. Trata-se de uma campanha de conscientização global. O principal objetivo é aumentar o conhecimento popular sobre os asteroides, seus efeitos na Terra e o que pode ser feito para proteger a Terra de impactos futuros. De acordo com o site Asteroid Day.org, nos primeiros cinco anos, mais de 2.000 eventos participaram de atividades globais em 30 de junho. Vários museus, centros de ciência e planetários em 78 países comemoram esta data todos os anos.

Em resumo, não é apenas um dia para celebrar os asteroides, mas também um dia para aprender sobre eles. É um lembrete de quão pouco sabemos sobre esses objetos no espaço. É hora de refletir sobre os riscos que os asteroides e cometas representam para o nosso planeta e tomar medidas de proteção.

Dr. Brian May e Grigorij Richters: criadores do Dia do Asteroide.

“Asteroides são o único desastre natural que nós sabemos como prevenir. Proteger nosso planeta, nossas famílias e comunidades são o objetivo do Dia do Asteroide… Asteroides nos ensinam sobre as origens da vida, mas também podem afetar o futuro de nossa espécie e vida na Terra”
Grigorij Richters, um dos idealizadores do Asteroid Day

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Coluna do Astrônomo Curiosidades

Cometas, asteroides, meteoros, os irmãos menores do Sistema Solar

Embora os cometas, asteroides e meteoros sejam alguns dos menores objetos do Sistema Solar, guardam várias surpresas. São inúmeros pedaços de gelo, metal e rocha que sobraram da formação do Sistema Solar, que ocorreu há 4,5 bilhões de anos.

No início nosso sistema planetário era uma enorme nuvem de gás e poeira. As partículas colidem entre si formando pedaços cada vez maiores. Esse acúmulo gradual de material ocorreu em diversas regiões da nuvem, ao longo de centenas de milhões de anos, até que finalmente surgiram o Sol e os planetas.

Acontece que nem todo o material disponível foi utilizado no processo: são bilhões de pequenas rochas espaciais que estão vagando ainda hoje pelo espaço e, por incrível que possa parecer, sofreram pouca mudança ao longo dos 4,5 bilhões de anos.

Por serem praticamente intocados desde a sua origem, cometas, asteroides e meteoros são portadores de informações valiosas sobre as condições do sistema solar primitivo. Podem, por exemplo, nos ajudar a compreender a nossa origem, dando dicas de como se deram os eventos que levaram ao surgimento de nossa casa, o planeta Terra, ou até mesmo sobre como surgiu a água.

Cometas

Os cometas são blocos congelados, compostos de poeira, rocha e muito gelo. Suas dimensões podem atingir dezenas de quilômetros, embora diminuam de tamanho quando se aproximam do Sol, uma vez que se aquecem e ejetam parte de seu material para o espaço, formando enormes caudas que se estendem por milhões de quilômetros. Embora sejam conhecidos quase 4 mil cometas, provavelmente existem bilhões orbitando o Sol no Cinturão de Kuiper (uma faixa repleta de blocos gelados que se estende a partir da órbita de Netuno para fora do Sistema Solar), ou ainda mais distante, na Nuvem de Oort, uma espécie de “concha” esférica gigante que rodeia o Sistema Solar na sua parte mais externa.

Cometa C/2014 Q2. Crédito: John Vermett

Asteroides

Algumas vezes chamados de planetas menores, os asteroides são restos rochosos e metálicos da formação do Sistema Solar. A maior parte é encontrada no cinturão de asteroides, que está localizado entre as órbitas de Marte e Júpiter. Suas dimensões variam de alguns metros até incríveis 530 km de diâmetro, como no caso de Vesta, o maior de todos. Costumam ter forma irregular, e alguns possuem uma pequena lua. São conhecidos mais de um milhão de asteroides.

Meteoroides, meteoros e meteoritos

Esse é um tema que costuma gerar alguma confusão. Afinal, qual a diferença entre meteoroide, meteoro e meteorito?

Vamos começar pelo que eles têm em comum: todos estão relacionados com os flashes de luz chamados “estrelas cadentes” que algumas vezes vemos correndo pelo céu. É o mesmo objeto, porém com nomes diferentes, dependendo de onde ele está.

Os meteoroides são objetos localizados no espaço, variando em tamanhos desde de grãos de poeira a até alguns metros. Eles só têm esse nome enquanto estão no espaço. Podem ser originários de outros corpos maiores, como cometas, asteroides, da Lua, ou até mesmo de outros planetas. Alguns são rochosos, enquanto outros são metálicos, ou combinação de rocha e metal.

Um meteoroide pode entrar em alta velocidade na atmosfera da Terra, pegando fogo, produzindo o belo fenômeno popularmente conhecido como “estrela cadente”. É o chamado meteoro.

Quando o meteoroide sobrevive a viagem pela atmosfera e atinge o solo de nosso planeta, é chamado meteorito. Como já dito, os meteoritos são de suma importância para os cientistas que investigam os estágios iniciais de formação de nosso planeta.

Meteorito em exposição no Planetário do Rio. Crédito: Paulo Pereira

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Superluas de 2022: Morango? Cervo? Carambola?

Teremos duas  superluas em breve, dia 14 de junho e 13 de julho! 

Vale a pena ver? Sim! 

Será bonito? Sim! 

Exatamente como toda Lua Cheia.

Temos uma superlua quando a Lua Cheia ou a Lua Nova coincide com o perigeu, o ponto na órbita em que a Lua está mais próxima da Terra. A superlua nova não chama a atenção porque nesta fase a face oculta de nosso satélite está sendo iluminada enquanto a face voltada para a Terra não recebe luz do Sol. Logo, exatamente na lua nova, não vemos a Lua no céu. Por outro lado, na Lua Cheia, a face lunar voltada para a Terra está totalmente iluminada. Assim, normalmente, quando se fala em superlua está sendo feita referência a uma superlua cheia, raramente se utiliza a expressão para uma superlua nova.

Tudo o que está mais próximo parece maior e mais brilhante, certo? Isso acontece também com a Lua durante uma superlua cheia. Mas essa diferença não pode ser percebida diretamente com os olhos. É preciso fazer uma comparação do tamanho e brilho da Lua durante e fora de uma superlua com fotografias para notarmos a diferença. Veja essa imagem comparando o tamanho de uma Lua Cheia tradicional com o tamanho de uma superlua:

Comparação entre o tamanho aparente da Lua cheia comum e o tamanho da Super Lua de março de 2011. Perceptível com uma máquina fotográfica, mas imperceptível à vista desarmada (foto de Marcoaliaslama)

Perceba que essa diferença de tamanho é imperceptível aos nossos olhos, e a diferença de brilho também é.

Portanto, em vez de esperar uma Lua Cheia muito diferente das outras e certamente se frustrar, sempre observe as superluas pelo que elas trazem no invisível: a informação sobre sua distância. Apesar de você não conseguir de fato perceber a diferença, você sabe que ela está mais próxima do que o normal! E esse conhecimento vem de um longo desenvolvimento que partiu de antes dos babilônios, passou por diversas culturas, avanços tecnológicos e chegou até você.

E lembre-se que a natureza nos oferece mais espetáculos do que normalmente percebemos. Celebrar as superluas é ótimo, mas celebremos também as outras Lua Cheias! E celebremos também os Quartos Crescentes e Minguantes, quando nossa Lua fica linda para ser observada com um telescópio. E por que não celebrar a tímida Lua Nova que marca o início de um novo ciclo de fases?

Durante a superlua de 13 de julho, nosso satélite estará cerca de 240 km ainda mais próximo que em 14 de junho. Faça uma experiência de observar essas duas superluas e compare com a outra lua cheia que acontece em agosto. Se puder tirar uma foto, envie para o Planetário!

Lua de Morango e de Cervo

Especificamente as próximas superluas de 14 de junho e 13 de julho estão sendo chamadas respectivamente de superlua de morango e superlua de cervos. Esses apelidos são dados a algumas Luas Cheias, não necessariamente superluas, e tem origem em uma tradição norte-americana.

Nos Estados Unidos, desde 1792 é publicado um almanaque que hoje chama-se The Old Farmers Almanac (O Velho Almanaque do Fazendeiro, em tradução livre. Evidentemente, no início chamava-se apenas O Almanaque do Fazendeiro). Esta publicação trazia previsão do tempo, receitas, dicas para plantação e efemérides astronômicas, entre outras coisas. Este almanaque foi responsável por popularizar ainda mais nomes folclóricos para alguns momentos astronômicos.

Capa da edição de 2023 de O Velho Almanaque do fazendeiro (https://store.almanac.com/)

A Lua Cheia do mês de Junho, normalmente a última da primavera ou a primeira do verão no hemisfério norte da Terra, é chamada de Lua de Morango porque marca a época da colheita do morango. As frutas estão lindas esperando para serem colhidas. Não tem nada a ver com a Lua propriamente dita. Nem com a cor da Lua, nem com o sabor dela (?)

De forma semelhante, a Lua Cheia de Julho é chamada de lua de cervo ou de bode porque os animais estão com seus chifres totalmente renovados em um processo natural que ocorre com o passar dos anos.

Por acaso essas duas luas cheias serão superluas em 2022. Mas note que o apelido “morango” ou “cervo” refere-se à Lua Cheia desses meses, não ao fato de serem superluas.


Há ainda outros nomes folclóricos popularizados pelo Old Farmer’s Almanac para essas luas cheias. A de junho, por exemplo, além de Lua de Morango pode se chamar Lua de Florescer ou Lua do Milho Verde. A Lua Cheia de julho pode também ser chamada de Lua da Muda de Penas e Lua de Salmão, sempre com um correspondente a algo que observamos na fauna e na flora devido às mudanças climáticas das estações.

Esses nomes todos só fazem sentido para a cultura do hemisfério norte, não há um correspondente aqui para nós no hemisfério sul. Em junho e julho temos carambola no Brasil, portanto, se quiser um apelido saboroso, lua de carambola seria mais adequado. Ou de banana, que temos quase o ano todo.

Por que a Lua Fica Maior no Horizonte?

Já que estamos falando sobre superlua, e sobre distância da Lua, é interessante falar sobre a famosa questão do tamanho da Lua quando está próximo ao horizonte. De fato ela parece maior, mas apenas parece. E ela não está mais perto, na verdade, quando você vê a Lua no horizonte ela está mais distante de você que quando a vê sobre sua cabeça, alta no céu.

Lua aparentemente maior, porque no mesmo campo de visão aparece uma antena,  o topo de um edifício, árvores e uma pipa ( “Alinhados”, foto de Juranir Badaró enviada ao Projeto Olhe Para o Céu, da Fundação Planetário, em 2020)

A sensação de parecer maior quando a vemos no horizonte tem várias explicações, uma delas envolvendo os efeitos chamados micropsia e macropsia que estão associados ao ângulo que um objeto ocupa em nosso campo de visão. Mas uma outra explicação mais simples para entendermos é pensar que quando vemos a Lua perto do horizonte, normalmente há outros elementos no mesmo campo, como prédios, árvores ou montanhas. Nesse contexto, ela vai parecer maior porque há objetos de comparação, diferente de quando a vemos isolada no céu sem algum objeto na mesma direção.

A mesma coisa acontece quando vemos um quarto vazio, sem móveis. Ele parece pequeno… mas quando o mobiliamos, decoramos e colocamos objetos dentro dele, automaticamente ele parece maior. Mas só parece! O tamanho do quarto permaneceu o mesmo.

Anotem na agenda:

  • Terça, 14 de Junho
  • Quarta, 13 de Julho

Texto Astrônomo Leandro L S Guedes

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Seu primeiro telescópio

atualizado em junho de 2022

Sempre que alguém se inicia na observação do céu e pede sugestão de instrumento, nós astrônomos (amadores e profissionais) sugerimos começar com um binóculo de pequeno aumento e um mapa celeste. Uma boa especificação de binóculo inicial seria 7×50, onde o primeiro número indica o aumento (7x) e o segundo número o tamanho da objetiva (50mm de diâmetro).