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Superluas de 2022: Morango? Cervo? Carambola?

Teremos duas  superluas em breve, dia 14 de junho e 13 de julho! 

Vale a pena ver? Sim! 

Será bonito? Sim! 

Exatamente como toda Lua Cheia.

Temos uma superlua quando a Lua Cheia ou a Lua Nova coincide com o perigeu, o ponto na órbita em que a Lua está mais próxima da Terra. A superlua nova não chama a atenção porque nesta fase a face oculta de nosso satélite está sendo iluminada enquanto a face voltada para a Terra não recebe luz do Sol. Logo, exatamente na lua nova, não vemos a Lua no céu. Por outro lado, na Lua Cheia, a face lunar voltada para a Terra está totalmente iluminada. Assim, normalmente, quando se fala em superlua está sendo feita referência a uma superlua cheia, raramente se utiliza a expressão para uma superlua nova.

Tudo o que está mais próximo parece maior e mais brilhante, certo? Isso acontece também com a Lua durante uma superlua cheia. Mas essa diferença não pode ser percebida diretamente com os olhos. É preciso fazer uma comparação do tamanho e brilho da Lua durante e fora de uma superlua com fotografias para notarmos a diferença. Veja essa imagem comparando o tamanho de uma Lua Cheia tradicional com o tamanho de uma superlua:

Comparação entre o tamanho aparente da Lua cheia comum e o tamanho da Super Lua de março de 2011. Perceptível com uma máquina fotográfica, mas imperceptível à vista desarmada (foto de Marcoaliaslama)

Perceba que essa diferença de tamanho é imperceptível aos nossos olhos, e a diferença de brilho também é.

Portanto, em vez de esperar uma Lua Cheia muito diferente das outras e certamente se frustrar, sempre observe as superluas pelo que elas trazem no invisível: a informação sobre sua distância. Apesar de você não conseguir de fato perceber a diferença, você sabe que ela está mais próxima do que o normal! E esse conhecimento vem de um longo desenvolvimento que partiu de antes dos babilônios, passou por diversas culturas, avanços tecnológicos e chegou até você.

E lembre-se que a natureza nos oferece mais espetáculos do que normalmente percebemos. Celebrar as superluas é ótimo, mas celebremos também as outras Lua Cheias! E celebremos também os Quartos Crescentes e Minguantes, quando nossa Lua fica linda para ser observada com um telescópio. E por que não celebrar a tímida Lua Nova que marca o início de um novo ciclo de fases?

Durante a superlua de 13 de julho, nosso satélite estará cerca de 240 km ainda mais próximo que em 14 de junho. Faça uma experiência de observar essas duas superluas e compare com a outra lua cheia que acontece em agosto. Se puder tirar uma foto, envie para o Planetário!

Lua de Morango e de Cervo

Especificamente as próximas superluas de 14 de junho e 13 de julho estão sendo chamadas respectivamente de superlua de morango e superlua de cervos. Esses apelidos são dados a algumas Luas Cheias, não necessariamente superluas, e tem origem em uma tradição norte-americana.

Nos Estados Unidos, desde 1792 é publicado um almanaque que hoje chama-se The Old Farmers Almanac (O Velho Almanaque do Fazendeiro, em tradução livre. Evidentemente, no início chamava-se apenas O Almanaque do Fazendeiro). Esta publicação trazia previsão do tempo, receitas, dicas para plantação e efemérides astronômicas, entre outras coisas. Este almanaque foi responsável por popularizar ainda mais nomes folclóricos para alguns momentos astronômicos.

Capa da edição de 2023 de O Velho Almanaque do fazendeiro (https://store.almanac.com/)

A Lua Cheia do mês de Junho, normalmente a última da primavera ou a primeira do verão no hemisfério norte da Terra, é chamada de Lua de Morango porque marca a época da colheita do morango. As frutas estão lindas esperando para serem colhidas. Não tem nada a ver com a Lua propriamente dita. Nem com a cor da Lua, nem com o sabor dela (?)

De forma semelhante, a Lua Cheia de Julho é chamada de lua de cervo ou de bode porque os animais estão com seus chifres totalmente renovados em um processo natural que ocorre com o passar dos anos.

Por acaso essas duas luas cheias serão superluas em 2022. Mas note que o apelido “morango” ou “cervo” refere-se à Lua Cheia desses meses, não ao fato de serem superluas.


Há ainda outros nomes folclóricos popularizados pelo Old Farmer’s Almanac para essas luas cheias. A de junho, por exemplo, além de Lua de Morango pode se chamar Lua de Florescer ou Lua do Milho Verde. A Lua Cheia de julho pode também ser chamada de Lua da Muda de Penas e Lua de Salmão, sempre com um correspondente a algo que observamos na fauna e na flora devido às mudanças climáticas das estações.

Esses nomes todos só fazem sentido para a cultura do hemisfério norte, não há um correspondente aqui para nós no hemisfério sul. Em junho e julho temos carambola no Brasil, portanto, se quiser um apelido saboroso, lua de carambola seria mais adequado. Ou de banana, que temos quase o ano todo.

Por que a Lua Fica Maior no Horizonte?

Já que estamos falando sobre superlua, e sobre distância da Lua, é interessante falar sobre a famosa questão do tamanho da Lua quando está próximo ao horizonte. De fato ela parece maior, mas apenas parece. E ela não está mais perto, na verdade, quando você vê a Lua no horizonte ela está mais distante de você que quando a vê sobre sua cabeça, alta no céu.

Lua aparentemente maior, porque no mesmo campo de visão aparece uma antena,  o topo de um edifício, árvores e uma pipa ( “Alinhados”, foto de Juranir Badaró enviada ao Projeto Olhe Para o Céu, da Fundação Planetário, em 2020)

A sensação de parecer maior quando a vemos no horizonte tem várias explicações, uma delas envolvendo os efeitos chamados micropsia e macropsia que estão associados ao ângulo que um objeto ocupa em nosso campo de visão. Mas uma outra explicação mais simples para entendermos é pensar que quando vemos a Lua perto do horizonte, normalmente há outros elementos no mesmo campo, como prédios, árvores ou montanhas. Nesse contexto, ela vai parecer maior porque há objetos de comparação, diferente de quando a vemos isolada no céu sem algum objeto na mesma direção.

A mesma coisa acontece quando vemos um quarto vazio, sem móveis. Ele parece pequeno… mas quando o mobiliamos, decoramos e colocamos objetos dentro dele, automaticamente ele parece maior. Mas só parece! O tamanho do quarto permaneceu o mesmo.

Anotem na agenda:

  • Terça, 14 de Junho
  • Quarta, 13 de Julho

Texto Astrônomo Leandro L S Guedes

Leia mais sobre o assunto nos artigos abaixo:

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A Lua Cheia Pascal

No próximo dia 17 de abril, cristãos em todo o mundo celebrarão a Páscoa. A data relembra a ressurreição de Cristo, sendo também momento de reflexão e convite à renovação da fé. A Páscoa é uma festa móvel, ou seja, não tem uma data fixa para acontecer, e todos os anos precisamos recorrer ao calendário para saber quando acontecerá. A única coisa que as pessoas em geral sabem é que sempre cai num domingo. Falando nisso, você sabe como se calcula a data da Páscoa? A data da Páscoa tem raízes na tradição judaica e na Astronomia.

Segundo a Bíblia, a morte e a ressurreição de Jesus ocorreram na época da Páscoa Judaica (Pessach), que celebra a libertação do povo de Israel da escravidão no Egito e, tradicionalmente, ocorria na primeira Lua Cheia depois do equinócio da primavera no hemisfério norte. Por volta do século 2, alguns lugares celebravam a Páscoa Cristã junto com a Páscoa Judaica, enquanto outros, buscando uma independência dos eventos, transferiam a data para o domingo seguinte. Uma confusão que gerava discórdia dentro da própria Igreja.

Era necessário estabelecer uma regra unificadora, e para isso recorreu-se aos cálculos dos astrônomos. Assim, no ano 325 realizou-se o Primeiro Concílio de Niceia, quando se definiu que a Páscoa aconteceria no primeiro domingo após a primeira Lua Cheia após o equinócio da primavera no hemisfério norte (adotou-se 21 de março).

Afresco do Primeiro Concílio de Niceia. Capela Sistina, Vaticano.

Havia um problema. O calendário adotado na época – o calendário juliano, promulgado por Júlio César em 46 a.C. – tinha um ano com duração média 11 minutos maior do que o ano das estações. Gerava um erro de 1 dia em 128 anos. Pode parecer pouco, mas provocava um deslocamento de todas as datas, inclusive a da Páscoa, por entre as estações. No século 16, o equinócio da primavera no hemisfério norte estava acontecendo no dia 11 de março, 10 dias antes da data original. Ou seja, a festividade da Páscoa estava sendo realizada na data incorreta, uma heresia das grandes!

Era necessário um calendário consistente e capaz de unificar a data da Páscoa. Após algumas idas e vindas, no século 16, o Papa Gregório XIII estabeleceu uma comissão que contava com astrônomos (sempre eles!) e matemáticos para estudar o caso. Para apoiar o projeto, bem no meio do Vaticano, um observatório foi construído na Torre Gregoriana (também conhecido como “Specola Astronomica Vaticana”.

Torre Gregoriana, Vaticano. Construída entre 1578 e 1580, forneceu dados astronômicos para a construção do calendário Gregoriano, adotado até hoje.

Como resultado do esforço, foi criado o calendário Gregoriano que adotamos atualmente. Bem mais preciso, o ano do calendário tem uma diferença de apenas 26 segundos em relação ao ano das estações, implicando numa defasagem de 1 dia em 3.323 anos. A Páscoa estava salva.

Discussão da reforma do calendário conduzida pelo Papa Gregório XIII.
Página da bula papal Inter gravissimas, onde se apresentou o calendário Gregoriano adotado ainda hoje pela maioria dos países. Crédito:Max Planck Institute for the History of Science, Library/ECHO.

Assim, a data da Páscoa Cristã ocorre, desde o decreto do Papa Gregório XIII, em 1582, no primeiro domingo depois da Lua Cheia, que ocorre em ou depois de 21 de março. A Lua Cheia do decreto não é a astronômica, mas a Lua Cheia eclesiástica, cuja data é definida pelas Tabelas Eclesiásticas, e que é bem próxima da Lua Cheia real, afastando-se dela no máximo dois dias. Já o dia 21 de março foi escolhido para representar o equinócio da primavera no hemisfério norte. Mas não é necessariamente a data astronômica, que pode ocorrer nos dias 19, 20 ou 21 de março. Em 2022, por exemplo, o equinócio da primavera no hemisfério norte ocorreu no dia 20 de março. Portanto, o equinócio adotado no cálculo da Páscoa Cristã é também eclesiástico.

Como já ficou claro, existem razões históricas para o decreto papal. Uma delas seria manter a ocorrência da Páscoa Cristã próxima da Páscoa Judaica, que é definida num calendário baseado simultaneamente nas fases da Lua e no ciclo das estações. Outra razão, não menos importante, é garantir que a data da Páscoa seja única para todo o planeta, com a adoção arbitrária do equinócio e da Lua Cheia eclesiásticos.

Se você acha meio confusa essa história de calendário eclesiástico, relaxe. Geralmente a regra para o cálculo da data da Páscoa se resume ao “primeiro domingo depois da primeira Lua Cheia após 21 de março”, uma vez que as Luas eclesiástica e real geralmente são bem próximas. Como consequência das regras do decreto, a Páscoa Cristã nunca acontece antes de 22 de março nem depois de 25 de abril.

A Páscoa Cristã ocorre no primeiro domingo após a primeira Lua Cheia que ocorre em ou logo após o dia 21 de março.

Mosaico da sinagoga Beit Alpha, do século VI. As 12 constelações zodiacais rodeiam o Sol no centro. Nos quatro cantos, as quatro estações: verão, outono, inverno e primavera.

O ciclo das fases da Lua tem papel fundamental na determinação das principais festividades das três grandes religiões monoteístas: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. Quem acompanhou minha postagem recente, “A Lua e o Ramadã”, sabe que a referência para o início do principal mês muçulmano é a Lua Crescente, algumas horas após a Lua Nova. Como acabamos de ver, na tradição judaico-cristã, a referência da Páscoa é a Lua Cheia. Neste ano a chamada Lua Cheia Pascal ocorrerá no dia 16 de abril, véspera da Páscoa, às 15h55min.

O ciclo lunar tem papel fundamental nas festividades religiosas dos muçulmanos, judeus e cristãos.

Neste ano a Lua Cheia Pascal ocorrerá no dia 16 de abril, véspera da Páscoa, às 15h55min.

Uma última curiosidade. As demais datas móveis do nosso calendário são conhecidas uma vez calculada a data da Páscoa. Por exemplo, a quarta-feira de cinzas, que acontece ao final do carnaval, ocorre 46 dias antes do Domingo de Páscoa, e o Corpus Christi, 60 dias depois do Domingo de Páscoa.

Feliz Páscoa e Feliz Pessach!

Paulo Cesar R. Pereira

Astrônomo

Foto de capa: Fernando Braga

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Qual o Sabor da Lua? (Infantil)

O que acontece quando os animais da floresta resolvem saber o sabor da Lua? (Contação de história com Simone Cavaliere)

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O número 42 e o Dia da Toalha

Dia 25 de maio é dia da toalha. O que significa isso? Não é nenhuma campanha de confecção de algodão ou de roupas ou coisas do tipo. A relação que há entre uma toalha e a ficção científica parte de um autor especialmente criativo e original Douglas Adams (1952-2001) e a sua obra “O Guia do Mochileiro das Galáxias” ( The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy, 1978). A obra começou com radio novela, depois peça de teatro, o primeiro de cinco livros veio em em 1979, em 1981 veio a primeira série de TV e finalmente em 2005 o longa metragem.

Neste livro, um viajante extraterrestre, que pega carona através da Galáxia encontra-se com um terrestre e o leva para aventuras espaciais depois que a Terra é destruída. Falando assim parece uma coisa muito dramática mas o livro é na verdade uma grande de paródia em cima de toda ficção científica. O guia é um enorme deboche de Adams que é conhecido pelo seu humor britânico extremamente irônico e non-sense. Adams foi roteirista do grupo de comédia Monty Python. Adams também participou da série de ficção científica mais longeva da história onde foi roteirista: Doctor Who.

No Guia dos Mochileiros importância da toalha é colocada como um item de primeira necessidade incluindo utilizações bem curiosas do tipo enfrentar monstros. A primeira vez que se comemorou a data a referência era (mais ou menos) a data de falecimento de Adams. Mais tarde se associou a estreia do primeiro filme da saga Star Wars. Assim a data 25 de Maio tornou-se uma referência para a cultura pop e desde então tem sido considerado o dia do orgulho nerd.
O que que é um nerd? É difícil definir mas está muito ligado a pessoas que curtem séries de fantasia e sci fi. Se interessam por assuntos científicos e temas ligados a tecnologia. Esse grupo de pessoas é representada de forma jocosa pela série The Big Bang Theory. A série conta a história de um grupo de quatro nerds, todos eles pesquisadores, suas dificuldades com relações sociais e suas aventuras com muitas referências ao mundo dos comics, fantasia e ficção científica.

Em 2005 foi lançado o longa metragem baseado no livro Guia dos Mochileiros. Foi gratificante para os fãs ver os personagens icônicos como Ford Prefect (interpretado por Yasiin Bey), Arthur Dent (Martin Freeman conhecido por The Hobbit e Sherlock) e Zaphod Beeblebrox (Sam Rockwell de Moon) e o robô deprimido Marvin (Warwick Davis de Willow). O elenco inclui Zooey Deschanel (como Trillian), Stephen Fry (Narrador, na versão brasileira a voz foi de José Wilker), o premiado veterano John Malkovich (Humma Kavula) entre outros. Os seres, os apetrechos tecnológicos, as discussões filosófico-científicas e os vários memes criados nesta obra ocupam nichos de destaque até hoje na cultura pop.

A esquerda Zaphod em uma repreesentação teatral, centro os personagens no filme de 2005 e a direita Trillian por Zooey Deschanel
  • Os livros de Adams sobre a saga do mochileiro foram cinco apesar do autor se referir a obra ironicamente como uma trilogia:
  • The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy – 1979 (no Brasil, O Guia do Mochileiro das Galáxias).
  • The Restaurant at the End of the Universe – 1980 (no Brasil, “O Restaurante no Fim do Universo”).
  • Life, the Universe and Everything – 1982 (no Brasil, “A Vida, o Universo e Tudo Mais”).
  • So Long, and Thanks For All the Fish – 1984 (no Brasil, “Até mais, e Obrigado pelos Peixes!”).
  • Mostly Harmless – 1992(no Brasil, “Praticamente inofensiva”).

Quanto ao número 42? Ah, leia o livro ou veja o filme. Você vai saber que 42 é resposta para sobre a vida, o universo e tudo mais pelo menos segundo o Pensador Profundo. Seja como for: Não entre em pânico!

Links:
Livro (1979): https://www.skoob.com.br/livro/225ED344547
Série de TV (1981): https://www.imdb.com/title/tt0081874/
Longa metragem (2005): https://www.imdb.com/title/tt0371724/
O dia da toalha (a data): https://super.abril.com.br/cultura/o-que-e-dia-da-toalha-e-por-que-ele-e-comemorado-na-data-errada/

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Cometa C/2020 F8 SWAN de passagem

Paulo Cesar R. Pereira

Olá, estamos de volta com mais dicas e curiosidades sobre a observação do céu. Dessa vez vamos conversar sobre um cometa descoberto agora em março, o C/2020 F8 SWAN. Já tem muita gente querendo saber se dá para observá-lo. Vamos então saber um pouco mais sobre esse cometa.

O cometa foi descoberto em 25 de março de 2020 pelo astrônomo amador Michael Mattiago, ao analisar imagens públicas obtidas pela sonda SOHO que está em órbita ao redor do Sol.

SOHO (Solar and Heliospheric Observatory/Observatório Solar e Heliosférico), para quem não conhece, é uma sonda espacial fruto da colaboração entre a Agência Espacial Europeia e a NASA. Ela tem o objetivo de investigar a coroa solar (atmosfera exterior do Sol) e a origem do vento solar (fluxo de partículas carregadas eletricamente ejetadas do Sol).

Sonda SOHO

Como a sonda possui uma câmera com campo de visão amplo, é possível observar também a passagem de cometas próximos ao Sol. E esses registros não são raros! Até mesmo violentas colisões de cometas com o Sol podem ser observadas.

Mas vamos voltar ao cometa da vez. A bela fotografia abaixo foi obtida na Namíbia em meados de abril. Note o coma brilhante, de cor esverdeada e a longa cauda azulada. A cauda (composta de poeira e de gás ionizado pela luz ultravioleta do Sol), é empurrada pelo vento solar, que são partículas ejetadas da nossa estrela. O efeito combinado do vento solar com os jatos de gás que saem do núcleo do cometa forma a estrutura complexa da cauda. A cor azul está associada à recombinação de moléculas de monóxido de carbono. Já a cor verde do coma, ao redor da cabeça do cometa, é criada em geral por moléculas de carbono. A cauda pode ter milhões ou até mesmo centenas de milhões de quilômetros e, junto com o coma, refletem a luz solar, fazendo com que um cometa se torne um astro bem maior e brilhante, facilitando a observação por telescópios ou câmeras fotográficas. Eventualmente, como no caso do C/2020 F8 SWAN, se torna visível a olho nu.

Cometa C/2020 F8 SWAN

É comum os cometas apresentarem esse padrão de cores. O cometa Lovejoy, descoberto em 2014, tinha cores similares, embora uma cauda bem mais complexa, modulada pelo vento e pelo campo magnético solar. Os entusiastas da astrofotografia devem se lembrar muito bem.

Cometa Lovejoy

Você pode tentar observar o cometa C/2020 F8 SWAN nas próximas madrugadas, momentos antes do nascer do Sol. Para isso, deve buscar um local com o horizonte leste sem obstáculos, uma vez que o cometa estará baixo. Além disso, os cometas costumam ser pouco luminosos, então procure lugares bem escuros. Vamos ver como encontrar esse cometa?

A carta celeste abaixo é válida para o dia 5 de maio de 2020 às 5 horas. Ela servirá para os próximos dias também. Vemos que o cometa está na constelação da Baleia, entre as constelações de Aquário e Pégaso. Ele será uma manchinha no céu, e uma boa maneira de achá-lo é fazer uma linha até o chão passando pelos planetas Júpiter, Saturno e Marte. O cometa estará à direita, a cerca de um palmo aberto da linha do horizonte. Se você tiver um binóculo, pode ajudar.


Carta celeste para a região do cometa C/2020 F8 SWAN

É uma boa oportunidade para acompanhar este viajante espacial que no dia 12 de maio atingirá sua maior proximidade da Terra: cerca de 85 milhões de quilômetros. Para você ter uma ideia, a distância média Terra-Sol é de 150 milhões de quilômetros. Ou seja, o cometa estará dentro da órbita do nosso planeta.

Mas atenção, a janela de observação é bem curta. A partir do dia 9 o cometa estará bem mais próximo do horizonte, e ficará mais difícil observá-lo.

Bons céus e até a próxima.

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Infantil – Oficina de Foguete

Esse vídeo fala sobre como podemos, nesse momento que precisamos estar em casa e sem muitos recursos, aprender a fazer um foguetinho de material reciclado para brincar. Aproveitem para passar o tempo usando sua criatividade! (Com Simone Cavaliere)

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Cinco filmes espaciais: não ficção


Escolher os cinco melhores filmes espaciais de todos os tempos é uma tarefa muito difícil. Pra “roubar” um pouco e facilitar a tarefa vou dividir em categorias. A primeira categoria será a de filmes de não ficção: histórias que realmente aconteceram dramatizadas pelo cinema. Não resisti a inserir mais dois extras no final. Só menciono filmes que já assisti. Você, leitor, pode colocar nos comentários aqueles que julgar que esqueci.

Aí estão eles em ordem de lançamento, não classificados por preferência, nem por mérito.

Os Eleitos (The Right Stuff, 1983)

Direção: Philip Kaufman – Roteiro: Philip Kaufman.
Baseado no livro The Right Stuff de Tom Wolfe.
Elenco: Sam Shepard, Scott Glenn (Sucker Punch, 2011) , Ed Harris (The Truman Show, 1998), Dennis Quaid (The Day After Tomorrow, 2004).

O filme foi indicado a vários Oscars, entre eles: melhor filme, ator coadjuvante, direção de arte e fotografia. Ganhou quatro Oscars: montagem, trilha sonora original, som e efeitos sonoros.

Os Eleitos narra, paralelamente, os dois projetos norte-americanos no início da década de 60 para levar um astronauta ao espaço. Um dos projetos era dos chamados aviões foguete que, décadas mais tarde, daria origem aos Space Shuttles. O filme começa com a barreira do som sendo vencida pelo avião X1 pilotado pelo capitão Chuck Yeager. O projeto que realmente atingiu o propósito foi o Mercury. Este projeto enfrentou a pressão de tirar os EUA da segunda posição na Corrida Espacial. Os soviéticos já tinham posto Gagarin em órbita e a Nasa ainda amargava suas derrotas. Sete astronautas foram selecionados e intensamente treinados para embarcar numa cápsula pequena na ponta de foguetes, antes desenvolvidos para serem misseis intercontinentais. Esta saga merece ser acompanhada. A narrativa é um produto de seu tempo e lugar. Se comparado a produções mais modernas pode trair um certo ufanismo nacional sem endeusar muito os astronautas. Mas as diversas anedotas e casos pitorescos realmente aconteceram. O espírito de competição com os soviéticos fica bem evidente. O clima de guerra fria preenche bem os diálogos.

Apollo 13 (1995)

Direção: Ron Howard.
Produção: Brian Grazer.
Roteiro: William Broyles Jr.e Al Reinert – Basedo no livro Lost Moon de Jim Lovell e Jeffrey Kluger.
Elenco: Tom Hanks (Forrest Gump, 1994), Kevin Bacon (O Homem Sem Sombra, 2000), Bill Paxton (U-571 A Batalha do Atlântico, 2000), Gary Sinise (Forrest Gump, 1994), Ed Harris, Kathleen Quinlan.

Este filme ganhou dois Oscars (melhor edição e melhor som) e foi indicado para outros sete Oscars: melhor filme, melhor ator coadjuvante (Ed Harris), melhor atriz coadjuvante (Kathleen Quinlan, no papel da esposa de Jim Lovell), melhor roteiro adaptado, melhor trilha sonora, melhor direção de arte e melhores efeitos. Apollo 13 ganhou sete outros prêmios em vários festivais.

Agora o programa espacial é outro: Apollo. Depois da descida da Apollo 11 na Lua, em julho de 1969, e da Apollo 12, em novembro do mesmo ano, o interesse da opinião pública americana sobre viagens espaciais parecia ter diminuido

A tripulação da Apollo 13 era assim composta: o comandante James A. Lovell Jr. (interpretado por Tom Hanks), o piloto do módulo de comando John L. Swigert Jr. (Kevin Bacon) e o piloto do módulo lunar Fred W. Haise Jr (Bill Paxton).

A nave Apollo foi lançada em direção a Lua pelo gigantesco foguete Saturno V. Depois que o último estágio do foguete se destaca a nave fica composta de três partes: módulo de serviço (cilíndrico e não-tripulado), módulo de comando Odyssey (cônico, lugar para três astronautas durante os oito dias de missão) e o módulo lunar Aquarius (com formato de aranha e espaço para dois astronautas por dois dias). Houve uma explosão. A explosão levou parte do módulo de serviço deixando o Odissey sem energia e atmosfera. Os três astronautas passaram para o Aquarius feito para abrigar duas pessoas por dois dias. Não faltou oxigênio, o problema foram nos filtros de gás carbônico: não estavam dando conta do recado. A solução exigiu bastante criatividade. Veja o filme, você vai amar.

O Céu de Outubro (October Sky, 1999)

Direção: Joe Johnston
Produção: Charles Gordon e Larry Franco
Roteiro: Lewis Colick – Baseado no livro Rocket Boys de Homer Hickam
Elenco: Jake Gyllenhaal (Donnie Darko, 2001), Chris Cooper (A Identidade Bourne, 2002), Laura Dern (Jurassic Park, 1993)

Filme para ser visto mais de uma vez. Neste período de quarentena então, vai te fazer muito bem pela mensagem de superação que ele carrega. October Sky é uma autobiografia de Homer Hickam, um engenheiro aeroespacial que trabalhou na Nasa. O filme se concentra na sua infância nos fins da década de 50 na pequena cidade mineira de Coalwood (área rural dos EUA). A primeira cena do filme é a passagem do Sputnik (outubro de 1957) e o alvoroço que isso causou na sociedade norte-americana no início da Guerra Fria. Aquele momento foi marcante para a educação científica norte-americana. Em Coalwood, naquela época, um jovem ao terminar seus estudos secundários tinha três destinos prováveis: trabalhar nas minas de carvão, servir as forças armadas ou ser um bom esportista para ganhar uma bolsa em uma universidade, nesta ordem. Homer ousa pensar em lançar foguetes.

O filme não chegou a ser indicado para o Oscar; ganhou três prêmios em festivais e deixou um legado de inspiração. Seu tema musical principal é sensacional. A fotografia é linda. As atuações comovem e a exatidão história e científica são convincentes. Esse é para ver com a família: pelo menos com a garotada a partir dos 10 anos.

Estrelas Além do Tempos – (Hide Figures, 2016)

Direção: Theodore Melfi.
Produção: Donna Gigliotti, Peter Chernin, Jenno Topping, Pharrell Williams e Theodore Melfi Roteiro: Allison Schroeder e Theodore Melfi.
Baseado no livro homônimo de Margot Lee Shetterly.
Elenco: Taraji P. Henson (The Curious Case of Benjamin Button, 2008), Octavia Spencer (Histórias Cruzadas, 2011), Janelle Monáe, Kevin Costner (O Mensageiro, 1997), Kirsten Dunst (Spider-Man, 2002) e Jim Parsons (Big Bang Theory, 2007).

Não vou esconder minha paixão por este filme. Já escrevi um artigo sobre ele no calor da entrega do Oscar de 2017. O filme também fala do Programa Mercury, descrito em Os Eleitos, mas o enfoque é totalmente diferente. Enquanto se travava uma guerra fria no espaço em terras norte-americanas ainda havia direitos civis a serem conquistados. A política Jim Crow de segregação racial e a cultura machista faziam a sociedade americana se arrastar do ponto de vista social. O filme trata tanto do progresso tecnológico como a necessidade de avanço social. A obra conta essa história ao destacar três personagens notáveis: Katherine Johnson (Taraji P. Henson) , Mary Jackson (Janelle Monáe) e Dorothy Vaughan (Octavia Spencer). Essas mulheres negras foram responsáveis por calcular a órbita e os detalhes da cápsula espacial. Aquela era uma época onde muitos cálculo ainda eram feitos à mão (com ajuda de calculadoras elétricas) e os primeiros computadores ainda eram máquinas difíceis de se lidar. Se você estudou ciências exatas reconheceu as menções bem colocadas de métodos numéricos de computação (Método de Gauss, por exemplo). Se for do meu tempo, então, vai se lembrar emocionado quando a linguagem Fortran for mencionada. Até uns 15 anos atrás esta linguagem ainda era usada para programas de controle de satélites onde eu trabalhava.

Em 2017 este filme foi indicado para três categorias do Oscar: melhor filme, melhor atriz coadjuvante (a sensacional Octavia Spencer) e melhor roteiro adaptado. Não levou nenhum deste prêmios, mas já tinha conquistado oito premiações em grandes festivais de cinema.

Mercury 13 (2018)

Direção: David Sington e Heather Walsh
Produção: David Sington, Heather Walsh, Trevor Birney, Brendan Byrne e Geraldine Creed

Mais um filme sobre mulheres e espaço. Trata-se de um documentário sobre um programa privado (não era da Nasa) desenvolvido em 1960 para treinar mulheres norte-americanas para serem astronautas. O termo Mercury 13 foi criado em 1995 em referência aos Mercury Seven: o time de sete astronautas representados no filme Os Eleitos. Elas nunca foram ao espaço. Das 13 originais oito ainda estão vivas enquanto escrevo estas linhas.

A primeira astronauta foi a soviética Valentina Tereshkova em 1963. A primeira astronauta norte-americana, Sally Kristen Ride, só foi ao espaço vinte anos depois do programa Mercury. Até hoje nenhuma mulher foi a Lua, mas já há um programa norte-americano em andamento com este propósito: Ártemis.

Mais dois filmes… de brinde.

Claro que existem muitos outros filmes de não ficção excelentes sobre a exploração do espaço. Uma dica muito boa do meu colega Leandro foi Gagarin. Pervyy v kosmose (2013) que pode ser visto no canal do Planetário no YouTube. O primeiro ser humano no espaço foi o soviético Yuri Gagarin a bordo da nave Vostok.

Outro filme que não pode ficar de fora de qualquer lista espacial é o O Primeiro Homem (2018). É a biografia do astronauta Neil Armstrong, o primeiro homem na Lua. Assisti duas vezes mas achei meio depressivo e claustrofóbico demais pra a atual conjuntura de afastamento social. Por este motivo incluí O Céu de Outubro por trazer uma mensagem mais otimista. O filme é bem realista nos detalhes técnicos: especial destaque para a cena sobre a missão Gemini 8, comandada por Armstrong, que quase acaba em desastre.

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Constelações do Zodíaco – parte 4

Chegamos ao fim de mais um ano!

E vamos terminar, também, a coleção das constelações zodiacais.

Este grupo apresenta a única constelação zodiacal que não é um animal: a Balança. Ela não tem muitas estrelas brilhantes e quatro delas têm nomes bem estranhos!

Zubenelgenubi, Zubenelschamali, Zubenelhakrabi e Zubenelhakribi são os nomes delas. Elas fazem referência às garras do Escorpião que está ali perto. Bem antigamente essa constelação fazia parte do Escorpião, e por isso os nomes das estrelas.

Um Feliz Natal e um Novo Ano repleto de brincadeiras! Esperamos vocês aqui no Planetário nas férias!

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Constelações do Zodíaco – parte 3

Novas constelações chegaram! Estamos quase chegando ao fim. São 12 no total!

Uma das constelações é muito estranha. Você já viu um animal meio cabra, meio peixe? É a constelação do Capricórnio!

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Constelações do Zodíaco – parte 2

Seguem mais três constelações zodiacais.

Não se esqueça que você pode colorir, pedir para um adulto furar as estrelas e observar com uma lanterna ou olhar para algo claro. As estrelas parecerão brilhar!