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Um novo GPS

Minha paixão pela Astronomia começou a bordo de um navio. Meu primeiro professor foi meu pai, Capitão de Longo Curso, que me mostrou logo cedo ser possível saber sua posição na Terra baseado em observações de estrelas. Na minha mente infantil, aquilo parecia mágica! Apenas olhando aqueles pontinhos de luz, à noite, eu conseguia saber onde estava, no meio de um oceano aparentemente sem fim…

Hoje em dia, a navegação astronômica caiu em desuso. É quase uma arte perdida… E isso se deve, claro, às facilidades trazidas pelo GPS, sigla em inglês para Sistema de Posicionamento Global. Por que fazer observações minuciosas, cronometragens precisas e cálculos de trigonometria esférica se, com um simples toque de um botão, conseguimos nossa latitude e longitude com precisão e acurácia?

O que eu costumo dizer aos meus alunos que me perguntam isso é: o GPS tem dono. E quando digo isso, não estou cometendo uma sinédoque. Na frase anterior, “GPS” não deve ser entendido como “aparelho de GPS”. O termo “GPS” deve ser entendido exatamente pelo que ele é: um sistema de posicionamento global. Ou seja, “o GPS tem dono” quer dizer que o Sistema de Posicionamento Global tem dono!

E quem é o dono desse sistema? Ora, quem? Os Estados Unidos, que colocaram em órbita os satélites que o fazem funcionar de forma tão eficiente. Quando usamos um aparelho de GPS, estamos “pegando carona” em um sistema que não nos pertence.

Lembro-me, na primeira Guerra do Golfo, ter ficado assombrado com a inabilidade de Saddam Hussein em mirar no inimigo. Todos os seus mísseis, invariavelmente, erravam o alvo. Por que isso? Porque os mísseis de hoje não são apontados para os seus alvos a partir de cálculos de movimento balístico (como eram as antigas balas de canhão, por exemplo). Mísseis, hoje, são orientados pelo GPS. Você, em tese, pode apontar um míssil para onde você quiser. Guiado pelo GPS, ele sempre encontrará o alvo. A não ser que…

A não ser que alguém, deliberadamente, introduza um erro sistemático nas coordenadas calculadas pelo GPS, deixando o míssil perdido! E só quem tem o poder de fazer isso são os Estados Unidos, pois o Sistema de Posicionamento Global é controlado por eles.

Cada vez mais o GPS faz parte de nossas vidas e, portanto, cada vez mais ficamos mais dependentes de uma nação específica. A Europa não está muito confortável com essa situação. Por isso, decidiu investir em um sistema semelhante ao GPS, mas independente dele. Será uma nova rede de satélites, que poderá ser acessada assim como é a rede do GPS, e fornecerá ao usuário uma posição geográfica precisa. Esta rede foi batizada de Galileu, em homenagem ao grande cientista italiano.

O Sistema de Posicionamento Galileu (cuja sigla em inglês também é GPS!) sofreu um leve atraso, com o adiamento do lançamento de seus dois primeiros satélites. Mas é um atraso irrelevante, dada a grandiosidade do objetivo.

Logo, logo teremos dois GPSs! Quem sabe a China não lança um terceiro?