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O Bólido de Tcheliabinsk

 

Por Jorge Marcelino – Astrônomo da Fundação Planetário do Rio de Janeiro

 

Ainda bem que não estamos mais na Guerra Fria!

 

Com a derrocada do comunismo, no final do século passado, as tensões entre o ocidente e o oriente estão gradativamente diminuindo e o perigo de uma guerra nuclear encontra-se cada vez mais improvável. Mas, por que um astrônomo está comentando política internacional? Na manhã de ontem (15/2/2013), em Tcheliabinsk, às 9h20 na hora local, 1h20 no horário de Brasília, um grande bólido foi visto e registrado por muitas pessoas com o auxílio de seus aparelhos celulares.

 

Há alguns anos escrevi uma série de artigos sobre meteoroides, meteoros e meteoritos, que estão publicados no site da Fundação Planetário e em diversos outros. Neles o leitor poderá encontrar explicações sucintas sobre suas origens, composições químicas, fenômenos associados, etc.

 

A intensidade do fenômeno em Tcheliabinsk foi tão grande que várias janelas estilhaçaram, causando ferimentos em aproximadamente 500 pessoas, sendo 22 em estado grave. (Veja vídeos)

 

Apenas como comparação e guardadas as devidas proporções, a quebra de vidros por onda de choque foi observada no dia 1/7/2012, em Brasília, durante um ato de troca da Bandeira Nacional. Dois caças Mirage da Força Aérea Brasileira fizeram um sobrevoo rasante na Praça dos Três Poderes. A onda de choque arrebentou os vidros de parte das fachadas laterais e do fundo do Supremo Tribunal Federal, alarmes de carros dispararam e muitas pessoas relataram uma sensação de medo.

 

A grande novidade no bólido de Tcheliabinsk foi ter ocorrido sobre uma área habitável (lembremos que o planeta é quase 75% coberto por água) e graças à facilidade de ser ter uma câmera de qualidade com quase todas as pessoas (o número de celulares com câmera é enorme) o seu registro foi imediatamente dispersado pela Rede Mundial de Computadores.

 

Em 30 de junho de 1908, em Tunguska, na Sibéria, um fenômeno semelhante aconteceu. Porém, por ser uma região inóspita, não existe registro fotográfico, apenas relatos de moradores distantes e relatórios de uma expedição científica realizada 19 anos depois. (Mais detalhes sobre Tunguska)

 

Agora o leitor pode estar se perguntando: O que tem a Guerra Fria com o bólido de Tcheliabinsk? Respondo: o vice-presidente da DUMA, equivalente à nossa Câmara dos Deputados, afirmou e depois foi desmentido pelo Ministério para Assuntos de Emergência, que o fenômeno tratava-se de um teste militar norte-americano que visava avariar a maior planta de produção de combustível nuclear da Rússia.

 

–Ainda bem que o mundo está mudado e paranoias podem ser desfeitas apenas com imagens da Internet ou correríamos o risco de destruição da humanidade, não por um objeto impactando com a Terra mas por uma guerra nuclear.