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Um Telescópio Gelado e os Raios Cósmicos

O IceCube é um telescópio localizado na Antártica. Como se já não fosse frio o suficiente estar na Antártica, o IceCube, cujo nome vem do inglês “cubo de gelo”, é um telescópio literalmente afundado no gelo daquele continente. Não poderia ter um nome melhor.

Em vez de observar luz, como o famoso telescópio espacial Hubble ou diversos outros telescópios em solo, o IceCube observa neutrinos, partículas que parecem ter massa muito pequena e interagem muito pouco com qualquer coisa. E observar algo é exatamente detectar a interação, como a interação da luz com nossa retina, ou a interação da radiação com um detector apropriado. Observar algo que interage pouco não é nada fácil. Por isso a observação de neutrinos é complicada e precisa ser feita em condições muito especiais, como no fundo do gelo da Antártica.

Nessa quarta-feira foi publicado um artigo na revista Nature que diz que observações do IceCube mostram que os chamados surtos de emissão de raios gama, ou GRB, sigla em inglês de Gamma-ray bursts, não liberam tanta energia como se pensava.

Os surtos de emissão de raios gama são emissões muito intensas de radiação que ocorrem devido a uma supernova, um evento que marca o fim de uma estrela e o aparecimento de uma estrela de nêutrons ou de um buraco negro. E se considerava que essa seria uma das principais fontes de raios cósmicos com altas energias.

O IceCube foi usado para medir os fluxos de neutrinos de várias centenas de fontes de GRBs, e os fluxos observados foram  menores que um terço do esperado. Se essas observações forem confirmadas, teremos que repensar o que sabemos sobre os mecanismos que produzem raios cósmicos.

Do fundo do gelo da Antártica podem estar saindo dados que nos farão rever o que sabemos sobre o espaço!

 

Veja também:

O comentário no blog da Revista Nature (em inglês)