O que é um planetário?

Mudança de fase faz parte do mundo eletrônico… E aqui, em nosso espaço
virtual, não poderia ser diferente. Mudamos de fase, trazendo para o nosso
público um novo site. E dentro dessa nova proposta, vêm colunas temáticas,
distribuídas ao longo dos dias da semana, de segunda a sexta.
Todas as terças, vocês vão encontrar aqui neste espaço um artigo sobre
tecnologia. Bem-vindos à Terça Tech!
E, para começar, nada mais justo do que falarmos do aparelho que dá nome à
nossa instituição…


O que é um planetário?


Planetário é o nome de um instrumento que projeta o céu estrelado e reproduz
seus movimentos; além das estrelas, tal projetor também reproduz os planetas
visíveis a olho nu, o Sol e a Lua. Originalmente este projetor era optomecânico,
isto é, possuía uma lâmpada que, através de um intrincado sistema de lentes
ou fibras ópticas, direcionava os raios de luz para a cúpula de projeção,
promovendo a simulação do céu noturno estrelado.
Tal projetor deve ser instalado no centro de uma cúpula, que serve como tela
de projeção. Com as luzes apagadas e o projetor ligado, as pessoas no interior
da cúpula vêem uma simulação do céu. Todas as projeções de um planetário
são feitas cuidadosamente de modo a reproduzir o céu real com a maior
fidelidade possível. Os movimentos deste aparelho se refletem na projeção e,
para a audiência, parece que o céu está se movendo.
Recentemente, um novo paradigma vem se fortalecendo. Os projetores deixam
de ser optomecânicos e passam a ser digitais. Um planetário digital usa um
conjunto de hardware/software para gerar as imagens celestes que serão
enviadas para a cúpula de projeção. Estas imagens não estão limitadas, como
no modelo clássico de planetário, a meras reproduções celestes. Um planetário
digital pode projetar, dentro da cúpula, qualquer imagem que seja gerada no
formato apropriado. Qualquer filme, foto ou figura que pode ser visualizado em
uma tela de computador, com o devido tratamento, pode também ser projetado
pelo planetário digital.

As imagens projetadas envolvem a plateia. Diferentemente de uma sala de cinema, onde a tela fica à frente de todos, em uma cúpula de planetário digital, a tela fica ao redor de todos. É o que se chama de imersão. As imagens projetadas são genericamente chamadas fulldome (em inglês, “toda a cúpula”). O formato de projeção é conhecido como fulldome imersivo. E como pode ser aplicado a qualquer imagem, em qualquer contexto, o planetário deixa de ser um instrumento dedicado exclusivamente à Astronomia. As cúpulas passam a ser “Teatros de Visualização Digital”.

O produto final do que é projetado na cúpula de um planetário é chamado de “filme fulldome”.

O que é um filme fulldome?

Há diferentes formatos de projeção, e os mais conhecidos são o 4:3 (televisão de tubo, tela quadrada) e o 16:9 (televisão de plasma, LED ou LCD; tela de cinema). No momento da produção de conteúdo, é preciso se pensar no formato em que ele será exibido. Filmes feitos para o cinema sempre terão as bordas “cortadas” quando vistos em televisões quadradas. Produções de TV feitas no formato 4:3 nunca preencherão a tela toda se vistas em uma TV de LCD.

O formato fulldome imersivo é diferente de tudo isso. Para ser exibido dentro da cúpula, a produção deve ter o formato redondo e, ainda por cima, sofrer uma distorção para adequá-la ao fato de que a tela onde será projetada simplesmente não é plana. Além disso, deve ser produzido em altíssima definição, pois mesmo cúpulas pequenas (com seis ou oito metros de diâmetro, por exemplo) possuem telas gigantescas para os padrões da produção audiovisual.

Um filme fulldome é uma produção audiovisual que respeita as restrições impostas pelo formato fulldome imersivo e, portanto, ao ser finalizado, estará apto para ser apresentado dentro de uma cúpula que possua um sistema de projeção compatível (planetário digital).

Published by Alexandre Cherman

Alexandre Cherman é astrônomo, doutor em Física e atualmente ocupa o cargo de Diretor de Astronomia.