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Efeitos Atmosféricos

 

Ver um bólido cortando o céu de um lado a outro, com um brilho espetacular, colorido, algumas vezes tão brilhante quanto o Sol, e ouvir o barulho provocado pelas ondas de choque em nossos ouvidos é um espetáculo natural que provavelmente poucas pessoas tiveram oportunidade de presenciar. A chance de ocorrência de uma nova visão desta natureza, então, é bem pequena. Pensemos na observação de uma chuva de meteoritos; é quase impossível. Uma chuva de meteoritos ocorre quando um corpo de grande massa é fragmentado em pequenos pedaços, durante o voo na atmosfera. Isso ocorre porque os corpos grandes estão sujeitos a grandes forças.

A resistência do ar é proporcional ao quadrado da velocidade de queda do objeto. Assim, um meteorito que esteja caindo com uma velocidade muito grande irá sofrer uma desaceleração muito maior do que um descendo com baixa velocidade, devido ao atrito.

No ponto onde a velocidade cósmica de entrada, aquela que o corpo tinha fora da atmosfera, sem atrito, torna-se zero, chamado ponto de retardo, os corpos maiores sofrem uma desaceleração muito grande, estando sujeito a forças que podem fragmentá-lo em pequenos pedaços, espalhando-os ou, em alguns pouquíssimos casos, reagrupando-os.

Após o ponto de retardo, o meteorito, em uma única peça ou fragmentado, irá cair devido apenas à força gravitacional da Terra. Assim, sua direção muda drasticamente. Normalmente, passa de um ângulo baixo em relação ao horizonte para uma queda vertical. Se fragmentado, os pedaços tendem a cair ao longo de uma área chamada de elipse de dispersão ou distribuição. Os eixos da elipse são facilmente reconhecidos; o eixo maior apresenta-se na direção do movimento da queda, e o eixo menor é dado pelo espalhamento dos pedaços.

 
Os pedaços maiores tendem a cair num ângulo de trinta graus, enquanto os menores num ângulo de 20 graus em relação à vertical devido ao momento linear. Isso faz com que os fragmentos maiores sejam encontrados ao longo do eixo maior da elipse. Uma das principais tarefas das pessoas que se propõem a coletar meteorito é a demarcação das posições onde foram encontrados todos os fragmentos para que seja possível determinar a direção do eixo maior da elipse e o espalhamento. Com esses dados, podemos encontrar a direção e o ângulo de entrada do corpo na atmosfera.

Algumas chuvas de meteoritos são registradas na literatura. Podemos citar, como exemplo, a de Homestead, nos Estados Unidos, em 12 de fevereiro de 1875, a de Allende, no México, em 6 de fevereiro de 1969 e a de Mbale, em Uganda, em 14 de agosto de 1992.

No Brasil, existem dois relatos de chuvas de meteoritos. No começo do século, um padre, em uma aldeia indígena na floresta amazônica, relatou ter visto pedras caindo do céu, o que para os aborígenes tratava-se do fim do mundo. Uma expedição foi montada em 1998 para buscar algum vestígio, porém nada foi encontrado. Um outro caso ocorreu no município de Campos Sales, no Ceará, e está, atualmente, em estudos. Assim que os dados dos levantamentos estiverem concluídos, serão divulgados.

As crateras de impacto, suas origens, formas e localizações estão no artigo sobre esse assunto.