Busca pelo Barulho Bemol

Não sou ligado em futebol, mas tenho profunda admiração pelos bons jogadores e técnicos, e também pela influência que o esporte tem em nossa cultura.

Ainda assim, mesmo sem o hábito de acompanhar campeonatos, saber o que acontece na Copa do Mundo é questão de cultura geral. Portanto, me obrigo a acompanhar, ainda que de longe, o que está havendo. Nesta Copa, em especial, resolvi acompanhar mais de perto e até assistir a alguns jogos por inteiro, os dois tempos, sem mudar de canal.

E tudo estava indo muito bem. Mas ainda no primeiro tempo do primeiro jogo desta Copa de 2010, eu percebi que havia algo diferente. Talvez as cores vivas da África, talvez algum vício de linguagem do comentarista… talvez eu estivesse ficando com sono antes do esperado… havia algo diferente. Até que alguém me perguntou: que barulho de mosquito é esse, hein?

Pronto. A partir daí, não consegui mais prestar atenção em absolutamente nada senão a tentar descobrir a origem desse “barulho de mosquito”. Certamente, não eram mosquitos. Me pareceu a hipótese mais óbvia que fosse algum instrumento de barulho. Acho que não é justo chamar algo assim de instrumento musical.

Em geral se usam instrumentos de sopro, como cornetas, mas o som era ininterrupto! Nas partidas de futebol do Maracanã, costuma-se ouvir um silvo de corneta aqui, outro acolá, intermitentemente. Não um som contínuo. Ninguém tem fôlego para soprar uma corneta 45 minutos. Será que é algo de chacoalhar, como uma matraca?

Eu tinha prometido a mim mesmo que não mudaria de canal, mas não falei nada comigo sobre sair da frente da televisão para resolver algo mais importante que o jogo em si. Fui ao Google para buscar informações que confirmassem ou refutassem minha teoria sobre o instrumento chacoalhante, e ela foi refutada! Em algumas pesquisas, confirmei que, de fato, o barulho de mosquito vem de um instrumento de sopro chamado “vuvuzela”. A continuidade do som se deve ao número de cornetas no estádio. Aprendi algumas coisas interessantes sobre a vuvuzela, inclusive que uma padrão, de 58 centímetros de comprimento, emite um si bemol.

Quando voltei para a sala triunfante, trazendo a solução para o enigma do barulho de mosquito e algumas informações pertinentes, como a nota sonora produzida, o jogo tinha acabado. E fui informado que, enquanto eu pesquisava por informações confiáveis na internet, o comentarista falou sobre a vuvuzela.

Alguém está conseguindo assistir aos jogos com esse barulho? Vou tentar assistir ao jogo da seleção sem som.

Não assisti ao jogo, mas fiz uma boa troca. Afinal, o comentarista falou a origem do barulho, mas não falou qual a nota produzida pela vuvuzela…

 

Published by Leandro L S Guedes

Astrônomo, Diretor de Astronomia da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro.

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