“Todos nós somos, de uma maneira ou de outra, filhos de Júlio Verne”

A Ficção-Científica, provando ser um gênero não-convencional desde sua origem, nasceu de uma família igualmente diferente, com dois pais e uma mãe. A mãe foi Mary Shelley, autora de “Frankenstein – Ou o Moderno Prometeu” (1808) e os pais, H. G. Wells (“A Guerra dos Mundos”, 1890) e Júlio Verne (“20.000 Léguas Submarinas”, 1870). Neste 8 de Fevereiro se comemora o aniversário de um de seus pais, o francês Júlio Verne.

Escritor por excelência, Verne foi jornalista, romancista, dramaturgo e poeta – aliás, muito para o desgosto de seu pai, que pretendia que fosse advogado. Quando mudou-se para Paris a fim de prosseguir seus estudos, Verne logo envolveu-se com escritores e atividades literárias, além da oportunidade de pesquisas e conversas com as mentes de seu tempo: não foi com outro que não Alexandre Dumas, pai (“Os Três Mosqueteiros”, 1844), que acabou por discutir a ideia de um projeto literário realmente ambicioso, o da invenção de um gênero literário, ao que se referia como “Romance de Ciência”, onde poderia apresentar os fatos levantados em suas pesquisas junto a uma narrativa.

Com um âmbito educacional e literário por seu editor, as “Histórias Extraordinárias” (1863 a 1905) de Verne, uma coleção de 54 romances (incluindo-se aí suas histórias mais famosas), popularizaram-se tremendamente. A intenção era “delinear todo o conhecimento geográfico, geológico, físico e astronômico juntado pela ciência moderna e recontá-los, em um formato divertido e pitoresco (…) a história do Universo”. Nelas, Verne juntava detalhes científicos e um senso de aventura e deslumbramento que vem se unir facilmente à “literatura de exotismo” de época, para um mercado de leitores ávidos por novidades que aquela época oferecia.

Seus escritos encantaram gerações, com obras que transcendem rótulos literários e se encaixaram naturalmente sob o de “clássicos da literatura”. Populares, provocativos e inspiradores, eram leitura preferida de, por exemplo, ninguém menos que Alberto Santos-Dumont, influência assumida de suas leituras infanto-juvenis. Não foi o único, entre autores, cientistas e aventureiros, que declararam ser também sua influência: Roland Barthes, Julio Cortázar, Jean-Paul Sartre, Yuri Gagarin, Wernher von Braun, Konstantin Tsiolkovski, entre outros.

Entretanto, cabe notar, ao situar Verne nesta paternidade do quer viria a ser a Ficção-Científica, que ele acreditava que sua obra era antes sobre o Destino da Humanidade ser a Beleza, do que a respeito do “efeito especial” da vez: “5 Semanas em um Balão” (1863) era sobre seus interesses em viagens e geografia, e de apresentar ao leitor a beleza do continente africano – e não sobre ser a respeito de alguma forma de um balão dirigível (cujos primeiros projetos surgiram não antes de mais 10 anos). Mas a precisão depois revelada de suas intuições acabou por lhe dar um vulto de “profeta da ciência”, o que, aliás, não gostava: se seus escritos coincidiam, é apenas porque ele pesquisava a fundo sobre o que queria escrever.

Verne sempre apreciara o desenvolvimento científico e a aventura do espírito humano. Em 1905 infelizmente vem a falecer, um ano antes do voo do 14-Bis; não vendo o mais-pesado-que-o-ar de Dumont decolar: o mesmo Dumont que crescera o admirando e de quem, em seus últimos anos, tornara-se admirador.

Fontes:
Wikipedia https://en.wikipedia.org/wiki/Jules_Verne
Asas da Loucura – a extraordinária vida de Santos-Dumont, Paul Hoffman. Ed Objetiva, 2004

 

Por Luiz Felipe Vasques – Designer gráfico por formação e fã de Ficção-Científica desde que se dá por gente. Participa ocasionalmente de antologias do gênero fantástico e co-organizou duas, Super-Heróis (2013) e Monstros Gigantes – Kaiju (2015), ambas pela editora Draco.
Dá pitacos sobre gênero fantástico em seu blog:
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