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Salve a tecnologia!

As invenções do telescópio e do computador trouxeram ganhos para várias profissões. E a Astronomia foi uma das ciências que mais lucrou com isso. Mas… como era antes disso tudo? Como faziam os astrônomos há pouco mais de 400 anos?

Relendo um livro interessantíssimo sobre a história da Astronomia, O despertar na Via Láctea, de Timothy Ferris, me deparei com uma narrativa de um infortúnio ocorrido com um astrônomo francês, ainda no século XVIII. O leitor poderá perceber que trabalhar com Astronomia, pelo menos em épocas passadas, pressupunha um grande amor pelo ofício. Muitas vezes tinha-se que abdicar de tudo ou quase tudo.

Tomo a liberdade de transcrever um pequeno trecho deste livro que relata uma tentativa de observar o trânsito de Vênus (a passagem de Vênus na frente do disco solar).

Menos afortunado de todos foi Guillaume Le Gentil, que partiu da França a 26 de março de 1760, planejando observar o trânsito do ano seguinte na costa leste da Índia. Monções desviaram o curso do navio e o dia do trânsito o encontrou enfrentando uma calmaria no meio do oceano Índico, incapaz de qualquer observação útil. Disposto a redimir a expedição com a observação do segundo trânsito, Le Gentil marcou passagem para a Índia, construiu um observatório no alto de um paiol obsoleto em Pondicherry, e esperou. O céu permaneceu maravilhosamente claro durante todo o mês de maio, para encher-se de nuvens a 4 de junho, a manhã do trânsito, clareando de novo tão logo o fenômeno terminou. Escreveu Le Gentil:

Passei mais de duas semanas numa depressão singular e quase não tive coragem de pegar uma pena para continuar meu diário. E por várias vezes ela me caiu das mãos, quando chegou o momento de informar à França o destino de minha operação… É essa a sorte que com freqüência espera os astrônomos. Eu tinha viajado mais de dez mil léguas; parecia que tinha atravessado tamanha extensão de mares, exilando-me de minha terra natal, apenas para ser espectador de uma nuvem fatal que se colocou frente ao Sol no preciso momento da observação, para me privar dos frutos de minhas dores e minhas fadigas.

O pior ainda estava à sua espera. Atacado pela disenteria, Le Gentil ficou na Índia mais nove meses, de cama. Reservou então passagem de volta a bordo de um navio de guerra espanhol que perdeu o mastro num furacão ao largo do cabo da Boa Esperança e foi arrastado para fora de seu curso, para o norte dos Açores, até entrar finalmente, com dificuldades, no porto de Cádis. Le Gentil atravessou os Pirineus e pôs finalmente o pé em solo francês, depois de 11 anos, 6 meses e 13 dias de ausência. Ao chegar a Paris ficou sabendo que tinha sido declarado morto, sua propriedade fora saqueada, e o que dela restou, dividido entre seus herdeiros e credores. Renunciou à astronomia, casou-se e retirou-se para escrever suas memórias…

Salve a tecnologia, que nos livrou de tantos infortúnios!