Nossos Astros na Ficção Científica: As Estrelas do Firmamento

Na série dos Nossos Astros na FC, hoje falaremos de estrelas e constelações.


Órion, o Tucano e o Lavrador (fonte: Datasketch).

No céu noturno, a Lua sempre reinou sobre uma corte de inúmeras luzes que se tornavam familiares a cada geração, onde quer que o ser Humano vivesse. E na medida em que se tornavam familiares, uma suposta relação de causa e efeito foi observada, o que nos levou a imaginar por que. Em dado momento, demos nomes e personalidades às luzes no céu noturno, como sempre demos a qualquer coisa que avistássemos – ou ainda, que imaginássemos. E com os nomes e personalidades, as histórias.

Sabemos pela Arqueologia que os povos antigos também se miravam na posição de estrelas e constelações ao longo do ano para saber da troca das estações do ano, assim como a hora correta das etapas do ciclo anual da Agricultura, da semeadura à colheita e o descanso do solo. Tais estrelas, ou seus grupos, eram associados de acordo com a importância, e eram divididas e chamadas de formas diferentes, variando com a cultura que lhes desse nome. 

Tomemos, como exemplo, a ilustração acima: a partir da estrela que nós, na cultura Ocidental, chamamos de Betelgeuse, para nós ela também é a Alfa da constelação de Órion. Órion é o Caçador, irmão de Ártemis ou Diana, deusa da caça, pela mitologia greco-romana, elevado aos céus depois da morte. Mas os vizinhos dos gregos, os macedônios, empregavam-na para a constelação que chamavam Lavrador, enquanto que os nossos Tupis diziam que ela estava na versão celeste do pássaro Tucano*, pois no céu há uma versão de tudo o que há na terra, segundo a crença deles.

Apesar de algumas poucas e isoladas vozes na Antiguidade intuírem no caminho certo, o de que as estrelas não são pontos brilhantes em um mesmo plano colados no firmamento ou mesmo furos no escuro do céu, mas sóis assim como o nosso, com planetas girando ao seu redor e possivelmente cheios de gente, o consenso foi atrás de visões geocêntricas, de que o mundo que conhecíamos era o lugar mais importante de toda a Criação – por isso que tudo literalmente girava ao nosso redor.

Levou até o Século 16 para que Nicolau Copérnico propusesse o modelo heliocêntrico do sistema solar, possibilitando mais mentes a pensarem que as estrelas poderiam ser outros sóis, com planetas e seus próprios habitantes; e o primeiro deles foi Giordano Bruno em seu “Do Infinito, Universo e Mundos” (1584), que declarou que “Há então incontáveis sóis, e um número infinitos de terras ao redor desses sóis, [Esses mundos são habitados] se não exatamente como o nosso, se não até mais nobremente, decerto não menos habitado e não menos nobremente”. (em tradução nossa, do inglês). 

Ainda demoraria um tempo até as estrelas passarem a ser lembradas pela literatura, ao menos como sóis, potencialmente com planetas e seres dependendo deles. Quanto mais se descobria sobre o céu, mais intrigada ficava a imaginação humana.

Infelizmente, não temos espaço aqui para tratar de todas elas. Para fins práticos, focaremos as referências em algumas poucas das estrelas mais brilhantes do céu, o que por vezes quer dizer que elas são as alfas de suas constelações assim como as mais próximas de nosso sistema solar. A primeira delas, claro, sendo Alfa Centauro.

Alfa Centauro é o nome do sistema estelar mais próximo do Sol, distando 4,3 anos-luz de nós. É a pata direita da constelação do Centauro. Apesar de só observarmos uma estrela a olho nu, o sistema tem três estrelas: uma similar à nossa, chamada Alfa Centauro A, outra um pouco menor, girando ao redor da primária – Alfa Centauro B – e uma anã vermelha girando ao redor das duas, Alfa Centauro C, também mais conhecidamente Próxima Centauro (que, das três, é a mais próxima, mesmo, de nós: daí o nome). É tentador demais não imaginar as possibilidades de mundos habitados “logo ali”, no primeiro endereço depois do nosso, na vizinhança estelar. Nós a visitamos na Ficção Científica diversas vezes, pelas páginas e pelas telas: é o eterno destino da Família Robinson nas já três encarnações de “Perdidos no Espaço”, e James Cameron inaugurou a moderna era do cinema 3D em “Avatar” (2009), que conta sua história em Pandora, lua do gigante gasoso Polifemo, orbitando Alfa Centauri A.


Noites em Pandora.

“Proxima Centauri” (1935), de Murray Leinster, fala da primeira expedição da Terra até a estrela, apenas para descobrir que vida vegetal inteligente e carnívora existe, tem capacidade de voo espacial e considera os humanos uma exótica iguaria. Apesar da premissa típica de época, é curioso notar que o autor quis levar em conta a barreira da velocidade da luz, em uma época em que escritores optavam por ignorar isso, fazendo com que a expedição levasse 7 anos até seu destino.

“Far Centaurus” (1944), de A. E. van Vogt, fala de uma expedição até Alfa Centauro que dura 500 anos, partindo no Século 23, e seus tripulantes seguem hibernando mediante uma droga desenvolvida. Como se não bastassem os problemas na viagem, os tripulantes ao lá chegarem descobrem que a tecnologia avançou ao ponto de uma viagem como aquela durar apenas três horas, tornando-se estranhos em uma época que não é a sua. O conceito é interessante, tocando no ponto de, em caso de uma viagem interestelar, se vale a pena ir de uma vez ou aguardar um desdobramento da ciência que possibilite uma viagem mais rápida, porém daqui a algumas décadas ou mesmo séculos. O ideal/grande sonho sendo, claro, algum breakthough que envolva descobrir e desenvolver um meio de viajar a velocidades acima da luz – o que, para todos os fins práticos, é ser uma impossibilidade física.

“Os Clãs da Lua Alfa” (1964), de Philip K. Dick, apresenta Alfa III M2, uma lua habitada no gigante gasoso que é o terceiro planeta onde funciona um asilo psiquiátrico onde os descendentes dos pacientes originais geraram uma sociedade baseada em clãs, tendo as doenças como afinidades: os Paranoicos são a classe gerencial, Maníacos a força armada, Esquizoides são os poetas, etc.

“Sid Meier’s Alpha Centauri” (1999), Firaxis Games, é um video-game de estratégia se passando em Quíron, planeta ao redor da primária, onde colonos humanos se dividem facções após um atentado terrorista destruir a nave que os trouxe. Lá, eles encontram uma ecologia exótica, e que passa a se desenvolver rumo a consciência na medida em que as sociedades humanas progridem. Como fundo de história, é dito que Quíron possui duas luas: Nesso e Folo, sendo o segundo na órbita a partir de Afa Centauro A, antecedido por Eurítion, na primeira órbita – todos, nomes de centauros. Alfa Centauro B é alcunhada Hércules, o matador de centauros, pois coloca-se que a presença da segunda estrela evitou a formação de mais planetas gigantes.


A trilogia de Cixin Liu, em breve nos cinemas.

“O Problema dos Três Corpos” (2006), de Cixin Liu, é a respeito de uma civilização vivendo em condições precárias devido à instabilidade orbital do único planeta, seu lar, vítima de três estrelas girando de modo imprevisível uma ao redor da outra (o que é contrafatual, já que o sistema triplo de Alfa Centauro é um sistema estável de papéis bem definidos). É o primeiro de uma trilogia, e a história deverá ser adaptada para o cinema em breve.


Alfa Centauro A, Alfa Centauro B, Próxima Centauro e o Sol, em comparação de tamanho.

Sabe-se, hoje em dia, que um planeta orbita Próxima Centauro no que poderia ser a distância ideal para a água, caso haja, permanecer em estado líquido. Mas ela é uma estrela muito ativa, irradiando demais sua vizinhança, o que diminui as chances de ter ou abrigar vida como a nossa. As demais estrelas do sistema estão sem planetas ou confirmações até agora.

Aldebarã é a Alfa da constelação do Touro, uma gigante vermelha a 65 anos-luz de nós, seu nome deriva de um termo em árabe que significa “O Seguidor”, pois ela parece seguir as Plêiades.

Em “Guerra Sem Fim” (1974), de John Haldeman, o conflito é contra invasores de Aldebaran, mais simplesmente chamados Tauranos.

“Legend of the Galactic Heroes” (1982-1987), a wagneriana space opera de Yoshiki Tanaka, também adaptada para mangá e anime; é contado que o centro do governo da Federação Galáctica é em Theoria, ao redor de Aldebarã, após décadas de luta contra a opressão da Terra e antes da vinda do Império Galactico.

“Aldebarã” (1994-1998) é uma série em quadrinhos do brasileiro Luiz Eduardo de Oliveira, o Léo. Aldebarã IV é um mundo tropical onde se passam as histórias, colonizado pela Humanidade. Após a impossibilidade de se comunicar com a Terra, a sociedade lá se torna ditatorial.


Guerra Sem Fim, Legend of the Galactic Heroes e Aldebarã – A Catástrofe

Sabe-se hoje em dia que Aldebarã tem um planeta orbitando com quase 6 vezes a massa de Júpiter.

Altair é a Alfa da constelação da Águia, distando a 16,7 anos-luz de nós. O nome Altair vem do árabe para “A Águia Voadora”. Ela é uma estrela branca, mais jovem e um pouco maior do que o Sol.

O clássico “O Planeta Proibido” (1956), dirigido por Fred M. Wilcox e baseado na peça “A Tempestade”, de W. Shakespeare; passa-se no planeta Altair IV, onde uma expedição chega para descobrir o paradeiro da expedição anterior, desaparecida, 20 anos antes. Lá descobrem estar vivo um cientista da expedição original e sua jovem filha – empenhados na pesquisa da civilização original daquele planeta, que sumiu após tentar atingir o próximo passo em sua Evolução. É um dos melhores filmes do período.

“Close to Critical” (1964), de Hal Clement, passa-se em Tenebra, mundo ao redor de Altair descrito como infernal em temperatura ambiente e gravidade. Quando dois astronautas naufragam em sua superfície, os nativos ajudam a escaparem para o espaço. A obra se destaca pela criação do planeta infernal, tido como uma marca do autor.

“The Winds of Altair” (1983), de Ben Bova, fala de uma missão de reconhecimento e terraformação de Altair VI, um jovem mundo, para receber os milhões de seres humanos que sofrem com a escassez de recursos e o envelhecimento da própria Terra.

Apesar de haver uma característica física no formato de Altair que pode sugerir a presença de planetas, na verdade nada evidencia que haja um sequer ao seu redor.

Deneb é uma supergigante azul cem vezes o diâmetro do Sol, é a Alfa da constelação do Cisne. Ela se localiza a 2.620 anos-luz de nós, o que quer dizer que a luz que dela recebemos (e vice-versa) hoje partiu por volta de quando os Jardins Suspensos da Babilônia estavam sendo construídos por Nabucodonosor.

“Piquenique na Estrada” (1972), dos Irmãos Strugatsky, gerou o filme “Stalker” (1979), dirigido por Andrei Tarkovsky e com roteiro deles. Alienígenas – supostamente – de Deneb visitam a Terra em seis zonas diferentes por dois dias, ausentando-se e deixando para trás fenômenos incompreensíveis à nossa compreensão.

“Stellaris: Infinte Frontiers” (2016), por Steven Saville, é baseado na franquia de games “Stellaris”, descreve um mundo em Deneb como a capital do “Commonwealth of Man”.

“Onde Nenhum Homem Jamais Esteve” (1966), “Eu, Mudd” (1967) e “Encontro em Farpoint” (1987) foram episódios da “Star Trek” original e Nova Geração, onde Deneb e seus mundos eram citados ou a ação transcorria.


Capas de obras figurando Deneb e uma comparação de tamanho com nosso Sol.

Planetas ao redor de Deneb, até agora, existem somente na Ficção Científica.

Eridano é a constelação do grande rio, e sua estrela Epsilon é alvo de bastante especulação. Epsilon Eridani se localiza a atraentes 10,5 anos-luz, e bem mais jovem do que nosso sol, menor e um pouco menos brilhante.

Na franquia “Star Trek”, em fontes enviesadas originais, Epsilon Eridani foi proposta como a estrela do planeta Vulcano, mas hoje em dia convenciona-se que ela abrigue Axanar. Vulcano foi orbitar ao redor de 40 Eridani A.

“Babylon 5” (1994-1999) situa a estação espacial-título ao redor de “Epsilon III”. Não bastasse todas as tramas que passam no espaço, dado momento é revelado que o planeta, inóspito, abriga em suas profundezas uma máquina gigantesca, construída em tempos idos.

“Shivering World” (1991), por Kathy Tyers, conta de um mundo terraformado chamado Goddard ao redor de Epsilon Eridani, para onde muitos fogem da ruína ecológica que se tornou a Terra.

“Eridani Resurrection”, (2018) por J.K. Phillips, descreve Epsilon Eridani como tendo 11 planetas, o quarto habitado por alienígenas locais. O planeta é visitado por uma nave militar norte-americana devido a interesses do país em uma fonte de combustível local – e paralelos com a religião nativa que se assemelham aos eventos dos Evangelhos.


Babylon 5 ao redor de um planeta fictício em Epsilon Eridani. Na comparação, ela e o Sol.

Sabe-se que um disco de resíduos e um gigante gasoso se apresentam ao seu redor. Epsilon Eridani e seu planeta em anos recentes ganharam, por concurso da União Astronômica Internacional, os nomes de divindades germânicas Rán e Ægir, ligadas aos mares.

Fomalhaut é a Alfa da constelação do Peixe Austral, a 25 anos-luz de nós. É uma estrela branca, um pouco maior do que o Sol e bem mais jovem. Tem duas companheiras, uma anã vermelha e uma anã laranja. Respondem por Fomalhaut A, B e C.

Ela aparece em algumas histórias do Mythos Lovecraftiano, o lar de deidades terríveis e impronunciáveis, por autores como August Derleth e Lin Carter. 

“The Dead Lady of Clown Town” (1964), de Cordwainer Smith, conta como em Fomalhaut III o martírio de uma “subpessoa” inícia um movimento de defesa de direitos civis pela galáxia.

“O Mundo de Rocannon” (1966), de Ursula K. LeGuin. Aqui, Rokanan é o segundo mundo distando de sua estrela, e é lar para duas espécies e quatro subespécies de criaturas sencientes de vários níveis tecnológicos diferentes, Rocannon sendo o nome para um dos grupos.

Fomalhaut surge em algumas obras de Philip K. Dick: “The Unteleported Man” (1966), “A Invasão Divina” (1981), Radio Free Albemuth (1985), “Chains of Air, Webs of Ether” (1987)


Fomalhaut na ficção científica de LeGuin e K. Dick.

Na vida real, um planeta foi detectado ao redor em 2008 e confirmado em 2012 pelo telescópio espacial Hubble. É um gigante gasoso, levando 1.700 anos para girar ao redor da primária. Fomalhaut b é como foi chamado inicialmente, mas uma consulta popular promovida pela União Astronômica Internacional (à maneira de Epsilon Eridani e seu planeta) escolheu Dagon, um antigo deus semita ligado à fertilidade e agricultura, na forma de um tritão: homem da cintura para cima, com uma cauda de peixe da cintura para baixo…

… lovecraftianos, é claro, sabem mais do que isso.

Sirius é a mais brilhante estrela nos céus noturnos, a 8,6 anos-luz de nós. É uma estrela branca com duas vezes a massa do Sol e é 25 vezes mais brilhante. É a Alfa do Cão Maior. Tem uma companheira, Sirius B, uma anã branca do tamanho da Terra, e provavelmente uma terceira estrela, anã, mas ainda não confirmada.

“The Struggle for Empire: A Story of the Year 2236” (1900), por Robert William Cole, é uma das primeiras space operas. Por vezes é creditado como a primeira obra que introduziu o conceito de impérios galácticos, viagens interestelares a altíssimas velocidades e frotas espaciais engajadas em combate. O Império Britânico conquistou o resto da Terra e se lançou ao espaço, e encontrou no império alienígena baseado em um planeta chamado Kairet, ao redor de Sírius.

“Seed of Light” (1959), de Edmund Cooper. O romance fala da viagem de uma nave de gerações para o sistema de Sirius.

Não o há que evidencie, até hoje, planetas ao redor de Sirius ou de sua companheira.

Tau Ceti está a quase 12 anos-luz de nós, é menor do que o Sol e emite quase metade de seu brilho. 

“Viagens Interplanetarias” (1949-1991), série de L. Sprague de Camp, coloca um sistema estelar em Tau Ceti com 3 planetas habitados: Krishna, Vishnu e Ganesha. As histórias de Krishna se passam após o primeiro contato entre nossa espécie e raças pré-tecnológicas locais, que agora têm que sobreviver à novidade.

“As Cavernas de Aço” (1954), de Isaac Asimov, e em outras de suas obras, colocam Tau Ceti como sendo lar do primeiro exoplaneta colonizado pela Humanidade, Aurora.

“Os Despossuídos” (1974), de Ursula K. LeGuin, conta da política conflituosa das nações no planeta binário Urras-Anares.


Tau Ceti em livros e nos role-playing games: a obra de deCamp ganhou um módulo de GURPS.

As semelhanças entre Tau Ceti e o Sol incluem a possibilidade de planetas semelhantes ao nosso. Há indícios de que cinco planetas rochosos, mais maciços do que a Terra, podem orbitá-la, e dois deles na distância ideal para abrigar vida como a nossa.

Vega é a Alfa de Lira, distando a pouco mais de 25 anos-luz de nós. Tem a cor azul-esbranquiçada, tem 2,5 vezes o tamanho do Sol e é 40 vezes mais luminosa. Devido à rápida rotação, ela tem um aspecto abaulado na altura de seu equador. É ainda bem jovem, de estimados 400 milhões de anos.

“City at World’s End” (1951), por Edmond Hamilton, conta que o mundo de Vega IV é o centro da administração galáctica. A história é sobre uma cidade e seus habitantes, arremessados por uma explosão nuclear para o distante futuro da Terra.

Na maxi-série alemã “Perry Rhodan”, Vega é descrita como tendo 42 planetas, cenário de batalhas contra os alienígenas reptilóides chamados Tópsidas. Uma raça nativa vive no oitavo planeta.

Na “Saga dos Príncipes Demônios” (1964-1981) de Jack Vance, além da Terra, Vega e Rigel são os centros da civilização humana. Vega possui seis planetas, sendo 3 habitáveis.

“Contato” (1985), de Carl Sagan, localiza em Vega a fonte dos sinais alienígenas que possibilitarão construir uma máquina que gere buracos de verme. Um filme com Jodie Foster foi feito em 1997.


Vega e o Sol.

Vega é a estrela a qual um disco de resíduos pôde ser observado pela primeira vez em 1984. Especula-se que haja um planeta gigante em sua órbita, mas devido ao disco e à pouca idade, é pouco provável que haja um planeta formado com biologia complexa. 

Das constelações em si, é um pouco difícil pensá-las como um só lugar. Vendo em nosso céu noturno, na ponta das patas dianteiras do Centauro são as estrelas Alfa e Beta da constelação: vizinhas aos nossos olhos. Mas a verdade é que, se Alfa está a 4,3 anos-luz, Beta dista de nós cerca de 390 anos-luz. Ou seja, constelações são desenhos arbitrados que só funcionam à distância. Na Ficção Científica, a franquia “StarGate” as utilizou como um sistema de coordenadas para os “portais estelares” do título, uma rede de portais gerando buracos de verme construída e semeada por uma raça alienígena muito antiga e avançada pela galáxia, com desenhos de constelações ativados em dada ordem para o determinado portal de destino ser conectado.


As constelações de um StarGate, reconstruído por fãs.

Normalmente, daríamos por encerrado esta série dos Nossos Astros na Ficção Científica: do Sol e da Lua até cada um dos planetas, asteroides e estrelas observados da Terra; afinal, o que ainda faltaria cobrir?

Tudo o que ainda foi imaginado.

* Não confundir com a constelação do Tucano, como estabelecida no período das Grandes Navegações e utilizada na cartografia atual.

Luiz Felipe Vasques

01/07/2019

Links Externos (em inglês):

O Datasketch é um ótimo site interativo, comparando o desenho de constelações entre várias culturas.

http://www.datasketch.es/may/code/nadieh/
https://en.wikipedia.org/wiki/Alpha_Centauri_in_fiction