E o frenesi do Fim do Mundo continua (parte 2)

Como vimos no texto anterior sobre a Pedra do Sol Mexica, em torno da figura central, vemos quatro retângulos que representam a destruição do mundo em cada uma das quatro eras de criação (cada época durando 13 baktuns) por que passaram os povos antigos.

A época mais remota (acima à direita) se chama “Sol do Jaguar”, pois esta era terminou no dia 4 Ix (Jaguar) do Tzolkin (calendário religioso de 260 dias). Os gigantes que habitavam a Terra, resultado da primeira tentativa de criação feita pelos deuses, foram atacados e devorados por jaguares. Acima à esquerda, o “Sol do Vento” dizimou outra raça humana imperfeita com seus furacões, pondo fim à segunda era. Abaixo à esquerda, temos o “Sol da Chuva de Fogo”, simbolizando a lava e o fogo de uma erupção vulcânica que destruiu a terceira época cosmogônica. Alguns homens foram transformados em pássaros e escaparam da catástrofe. As chuvas torrenciais e inundações representadas pelo “Sol da Água” deram fim à quarta época (abaixo à esquerda). A transformação dos homens em peixes os salvou da destruição.

A época atual seria a quinta era de criação, representada pela figura no centro do disco identificada como Tonatiuh, o Sol atual, e simbolizada pela sua data de criação 4 Naui-Ollin (Movimento). Em todas as eras, o universo é destruído e recriado renovado.

Aqui vemos uma semelhança entre os símbolos e idéias do Antigo e Novo Mundo. Cada um dos agentes destrutivos é concebido por uma força representada por um elemento. O Jaguar é um monstro terreno, enquanto o vento, água e fogo são outras entidades na história. Terra, Ar, Fogo e Água são os quatro elementos básicos concebidos pelos filósofos gregos, mas no caso Mexica não representam construções estáticas e permanentes, mas sim forças violentas da natureza que podiam se manifestar a qualquer momento, assim como fazem hoje em dia na região central do México.

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