De novo?!

 

Quando vejo este tipo de notícia, “Einstein certo de novo…” sempre me vem um certo estranhamento. Como assim, de novo? Quando falou sobre a curvatura da luz, sobre a natureza da gravidade e a relação entre tempo, espaço, matéria e energia (e fez isso no começo do século passado), Einstein acertou. E acertou lá atrás. Não há novidades sobre isso. Há cem anos sabemos isso. Teste após teste…

 

A experiência chinesa é bacana e não é desprovida de méritos. A notícia é essa: a experiência. Se ela tivesse provado que Einstein tinha errado, aí seria uma GRANDE notícia. Já imaginou: “Einstein estava errado!” Isso seria notícia. É como se ensina nas faculdades de jornalismo. “Cachorro morde menino” não é notícia. É cotidiano. “Menino morde cachorro”… isso sim é notícia!

 

Mas a experiência chinesa comprovou o que Einstein disse há quase cem anos, e o que já sabíamos teste após teste após teste. “Cachorro morde menino”. Cotidiano…

 

E, afinal, o que fez a experiência? Criaram em laboratório um efeito que já é bem conhecido (e comprovado desde 1919, graças à observação de um eclipse em Sobral, no Ceará): a lente gravitacional. A luz faz uma curva na presença de um campo gravitacional intenso. Isso Einstein previu em 1915 e foi observado em 1919. Agora foi feito em um laboratório chinês. (E, certamente, não foi a primeira vez que isso foi feito em laboratório. Talvez tenha sido a primeira vez com este método, com um chip.)

 

Einstein acerta de novo. Muito bom. E vai continuar acertando enquanto os cientistas continuarem construindo experimentos para comprovar a curvatura dos raios de luz.

 

Published by Alexandre Cherman

Alexandre Cherman é astrônomo e doutor em Física.

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